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A dinastia continua! Com Curry MVP, Warriors dão aula contra Boston, no TD Garden, e conquistam seu sétimo título na NBA

17 de junho de 2022

(por Matheus Correia)

Boston Celtics e Golden State Warriors se encontraram nesta quinta-feira (17), no TD Garden, para o jogo que poderia decidir o título da NBA. Os Warriors precisavam da vitória para conquistar seu sétimo anel, e estavam com toda a moral e atmosfera voltada para si após uma excelente vitória no jogo 5. Já os celtas necessitavam da vitória diante da sua torcida para levar a série para o jogo 7, já com um clima de "tudo ou nada". Duas franquias gigantes, com caminhos inéditos e espetaculares até este encontro. E no fim, venceu a melhor equipe. 

1º quarto

O Boston Celtics teve um excelente início, explorando atacar de costas para a cesta ou forçando a entrada no garrafão com infiltrações. A equipe da casa conseguiu uma run de 14 – 2 após uma boa sequência de Tatum e Brown na linha de três pontos, aproveitando falhas de marcação dos adversários.

Do outro lado, os Warriors procuravam movimentar a bola rapidamente em busca de arremessos livres de marcação, mas não foram cuidadosos e aparentaram estar “nervosos” nos minutos iniciais do confronto, cometendo faltas bestas e turnovers, além de forçarem arremessos desnecessários.

Com apenas três minutos de jogo, Klay Thompson anotou duas faltas – mas foi ele quem colocou Golden State no confronto, com cinco pontos em sequência que quebraram o bom momento celta. Os Warriors foram se aproximando no placar aos poucos e o jogo ficou em um bom “lá e cá” na metade do período.

No entanto, a segunda unidade de Boston teve muita dificuldade em sair do encaixe defensivo de Golden State nos minutos finais, e desperdiçou muitos arremessos do perímetro. Já os bancários do time adversário entraram muito bem, com Gary Payton II e Jordan Poole excelentes ofensivamente. Com uma série de arremessos contestados caindo, o sobrenatural time de Steve Kerr aplicou uma run de 11-0 e terminou o primeiro quarto de maneira espetacular, com cinco pontos de vantagem após ter ficado 12 atrás.

2° quarto

E no segundo quarto, a ótima forma de Golden State continuou. Mas agora, a equipe visitante não era apenas melhor que Boston – era infinitamente superior. Claro, a franquia de São Francisco deu aula em quadra, mas é difícil dar totalmente os méritos para os Warriors tendo em vista a atuação inacreditavelmente terrível dos Celtics. Erros ofensivos e defensivos, diversos rebotes de ataque concedidos, posses ofensivas constrangedoras, performances individuais tenebrosas (principalmente de Derrick White) e muita dificuldade em marcar no pick’n’roll.

Os Warriors estavam muito bem, mas não faziam nada de excepcional – apenas estavam em quadra com a mentalidade de um time que joga uma Final de NBA. Não era possível dizer o mesmo dos celtas. Golden State aumentou a run para inacreditáveis 21 – 0, a maior sequência nas últimas 50 finais. O TD Garden virou uma biblioteca, e em alguns momentos, até houve um princípio de vaias.

Liderada por Jaylen Brown, a equipe de Ime Udoka até conseguiu uma sequência de 7 – 0 para estancar a sangria, melhorando defensivamente e forçando os arremessadores do Golden State a partirem em direção à cesta, mas foi algo espontâneo – as fraquíssimas ações ofensivas deram inúmeras brechas para que os Warriors realizassem a manutenção da vantagem, que conseguiam ornar um excelente jogo coletivo – Poole, Wiggins, Green e Payton conseguiam tirar o “protagonismo” de Curry e Thompson no ataque.

3º quarto

No terceiro período, Boston teve uma melhora mínima. A equipe passou a ter mais paciência no ataque, criando oportunidades claras de arremesso, mas desperdiçava na definição. Defensivamente, até havia mais pressão, forçando turnovers por parte do Golden State, mas a inconsistência ofensiva impedia qualquer ameaça de recuperação.

E mesmo sob pressão, o ataque dos visitantes conseguia se virar, muito por conta do “fator Curry”. Os Warriors exploravam o pick’n’roll, com o armador, algo que os celtas têm muita dificuldade em marcar. Quando o movimento era bem-sucedido, Curry conseguia o arremesso em boas condições, e geralmente convertia. Quando a defesa de Boston duplicava a marcação nele, gerava uma oportunidade de arremesso livre para outro jogador do Golden State – e dava certo, com até mesmo Otto Porter Jr. convertendo duas bolas triplas nesta situação.

E mesmo quando Boston conseguia uma boa posse ofensiva, os Warriors respondiam imediatamente. Foi dessa maneira que a equipe de Steven Kerr conseguiu manter a vantagem no placar por boa parte do terceiro quarto.

Graças a um momento ruim ofensivamente do Golden State na reta final, Boston conseguiu diminuir o prejuízo fazendo o básico, girando a bola pacientemente, encontrando arremessos livres de marcação e, principalmente, convertendo. Mas ainda faltava muito para realmente se equiparar mentalmente e tecnicamente com os Warriors. Mesmo no bom momento de sua equipe, Jayson Tatum esteve muito mal, com uma dificuldade terrível em criar arremessos e até mesmo dar um passe extra quando estava bem marcado.

Após uma boa sequência de Jaylen Brown, os celtas emplacaram uma run de 12 – 2 e conseguiram diminuir a diferença no placar para 12 pontos. Golden State entrou numa espiral de erros nos minutos finais do período e deixou os mandantes chegarem; a diferença diminuiu ainda mais após uma bola surreal de Al Horford. O veterano recebeu debaixo do garrafão, sofreu marcação dupla e converteu a bandeja, conquistando ainda uma falta de arremesso. O dominicano converteu o lance-livre, e os Celtics foram para o último período com “apenas” 10 pontos de desvantagem.

4° quarto 

O que parecia terra arrasada no terceiro quarto, virou um fio de esperança para os torcedores celtas no último quarto. Eram 10 pontos, com o momento e a atmosfera a favor. Era só ter calma, concentrar na defesa e acertar as decisões no ataque. Mas os 12 minutos finais foram a demonstração e a prova de quem era melhor e merecia mais o título.

Com a cabeça fria e o coração quente, os Warriors fizeram o que era preciso, defendendo bem e conseguindo pontuar – muitas vezes dependendo da individualidade de Curry, mas conseguindo – algo que Boston não era capaz através de Tatum. Aliás, este, que deveria assumir a responsabilidade, estava completamente perdido em quadra.

Os celtas se defendiam bem, mas Golden State também. Mesmo com Boston conseguindo emplacar uma boa sequência ofensiva, a diferença no placar não saia dos dígitos duplos. Se Golden State errava no ataque, também fazia Boston errar. E com uma cesta de três pontos de Andrew Wiggins, faltando 1 minuto e 30 segundos para o fim da partida, os Warriors confirmaram seu sétimo título de NBA.

Pior recorde da liga há 3 anos, lesão grave de um dos seus principais jogadores, apostas duvidosas, sem o grande favoritismo. Muitos já tinham decretado o fim da dinastia – mas é impossível duvidar da grandeza e, principalmente, do talento.

São inúmeras as camadas e histórias por trás deste título – desde a excelência de Steve Kerr em transformar a equipe em uma das melhores defesas da liga; a atuação sublime e decisiva de Draymond Green, que para muitos já deveria ter aposentado; a redenção inacreditável de Andrew Wiggins, de 'bust' para essencial em um jogo de finais; a incrível utilidade de Gary Payton II, que foi de um jogador “qualquer” na NBA para um dos pilares defensivos e energéticos da franquia; a batalha de Klay Thompson na recuperação de uma gravíssima lesão; e claro, a grandeza magistral de Stephen Curry, que depois de quatro tentativas, finalmente conquistou seu primeiro título de MVP das finais, e com muito merecimento.

Um título que mostra que Golden State não é passageiro, não é hype, não é modinha: É gigante. Terceira franquia com mais títulos na história da NBA. Lar do maior arremessador da história do esporte, que crava cada vez mais seu rosto no Mount Rushmore dos maiores talentos já vistos nesta liga. É também casa de um técnico que ao fim de sua carreira, também será um dos maiores da história.

Quem não teve oportunidade de ver os Celtics de Russell, os Lakers de Kareem, os Bulls de Jordan, os Spurs de Duncan, está vendo os Warriors de Curry. Você pode amar ou odiar, mas uma coisa é certa, está testemunhando a grandeza num esporte de gigantes.

Resultado: (2) Boston Celtics 90 – 103 Golden State Warriors (4)