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Confira tudo sobre o UFC 256, que acontecerá neste sábado (12/12) e terá muito brasileiros no card

12 de dezembro de 2020

(por Leonardo Costa)
 

Neste sábado acontecerá o UFC 256, aquele que talvez seja o mais brasileiro dos eventos. Serão muitos os representantes do nosso país no evento, que terá na luta principal Deiveson Figueiredo, o "Deus da Guerra", que defenderá seu cinturão diante de Brandon Moreno. Antes, na luta co-principal, mais representante brasileiro, Charles do Bronx, enfrentando Tony Ferguson.

O evento ainda terá a participação de Ronaldo Jacaré, Renato Moicano, Junior Cigano e Virna Jandiroba, e a análise de todas essas lutas você encontra aqui na Playmaker Brasil.
 

Deiveson Figueiredo x Brandon Moreno

Menos de um mês após defender seu cinturão contra Alex Perez, no UFC 255, Deiveson "Deus da Guerra" Figueiredo terá outra prova de fogo no maior evento de MMA do mundo. Será sua quarta luta apenas em 2020, um ano que pode terminar perfeito caso mantenha o título. Deiveson venceu Joseph Benavidez por duas vezes, nocauteando em fevereiro e finalizando em julho. Contra Pérez foi ainda mais contundente, vencendo por submissão antes mesmo dos dois minutos de luta.

Seu desafiante será o mexicano Brandon "The Assassin Baby" Moreno, que vem de cinco lutas de invencibilidade (4 vitórias e 1 no contest), e que curiosamente lutou no UFC 255, assim como Deiveson, e venceu Brandon Royval por nocaute. Ao todo, Moreno tem 18 vitórias em 24 lutas, sendo 10 delas por finalização, e apesar de ser sua principal fonte de triunfos, ele não vence dessa maneira desde 2017, quando venceu Dustin Ortiz.

A simples vista, Moreno deve ter dificuldades em derrubar Deiveson, que já mostrou ser sólido contra outros bons grapplers. Isso faria com o duelo ficasse aberto à trocação, e que apesar de não ser o ponto forte do mexicano, vem sendo aprimorado a cada duelo. Por sua vez, o brasileiro parece estar em nível acima, afiado no chão e ainda mais cortante na luta em pé. Deiveson costuma partir cedo para o ataque, e caso a luta se estenda seria interessante ver como se comporta o seu fôlego. De qualquer forma, o Brasil deve manter o cinturão dos moscas com Deiveson Figueiredo.
 

Charles "do Bronx"  x Tony Ferguson

Desde que retornou aos leves em 2017, o paulista Charles do Bronx perdeu apenas para Paul Feder, no UFC 218. De lá para cá, foram sete vitórias seguidas e nenhuma delas chegou até a decisão dos juízes. Foram dois nocautes e 5 finalizações, além de ganhar o prêmio de Performance da Noite em cinco oportunidades. O brasileiro é o recordista em finalizações no UFC, com 14 submissões apenas na organização, e 19 na carreira. Chega para o combate vindo de vitória sobre Kevin Lee, e vive um momento extraordinário.

Por outro lado, Tony Ferguson viu sua sequência de 12 vitórias seguidas ser interrompida por Justin Gaethje em maio deste ano, no UFC 249. Ferguson foi dominado pelo rival, mas seu arsenal demonstrado em outras lutas, além de seu poderoso uppercut, o fazem um dos lutadores mais perigosos da categoria, algo que Anthony Pettis e Donald Cerrone podem confirmar.

A luta deve ser de muito estudo, e o brasileiro deve ter treinado à exaustão em como não ser finalizado por uma guilhotina na tentativa de queda. Foi através desse movimento que ele perdeu para Anthony Pettis e Ricardo Lamas, e por mais que Ferguson seja exímio trocador, não é menos perigoso em submissões. Charles do Bronx precisa capitalizar possíveis erro de seu rival e acabar o quanto antes com a luta, porque vejo que a longo prazo, sobretudo na luta em pé, Ferguson levando vantagem.
 

Renato Moicano x Rafael Fiziev

Buscando uma regularidade no UFC, Renato Moicano vai ao evento embalado pela vitória sobre o bósnio Damir Hadzovic por finalização no começo deste ano. Será sua nona luta na organização, e seu melhor momento foi em seus primeiros eventos, onde conseguiu três vitórias seguidas. Depois disso, foi finalizado por Brian Ortega, mas se recuperou com boas vitórias sobre Calvin Kattar e Cub Swanson, mas as derrotas para José Aldo e para o Zumbi Coreano, ambas no ano passado, o fizeram mudar de categoria e ir para os leves.

O cazaque Rafael Fiziev vai para sua quarta luta no UFC. Perdeu para Magomed Mustafaev na estreia, conhecendo sua primeira derrota na carreira. Se recuperou no evento seguinte ao vencer Alex White, e manteve o bom momento ao triunfar sobre Marc Diakiese em julho deste ano. A luta contra o brasileiro pode guiar quais serão seus próximos adversários e, por isso, entrará no octógono em clima de decisão, sabendo da importância do triunfo.

O confronto será uma prova de fogo para Fiziev, que enfrentará um exímio lutador de jiu-jitsu, que deve tentar a queda. Com a luta no solo a vantagem é total do brasileiro, mas entre querer e derrubar, a distância pode ser abismal. Moicano precisa estar pronto para uma trocação caso os planos de levar para o chão não encaixe, e nessa parte do duelo a vantagem vira para o Cazaque. Duelo apertado, mas vejo Moicano com boas chances de vitória.
 

Ronaldo Jacaré x Kevin Holland

O experiente Ronaldo Jacaré, no auge dos seus 41 anos, vem de derrota por decisão dividida para Jan Blachowicz no final do ano passado. Com 14 finalizações na carreira, terá pela frente Kevin Holland, que vai para sua quinta luta apenas em 2020. Holland venceu suas quatro anteriores, sendo a última delas contra Charlie Ontiveros, o que lhe rendeu uma vaga no top 15 dos médios.

Holland leva vantagem no alcance, mas a habilidade de Jacaré em levar a luta para o chão deve marcar o ritmo da luta. O brasileiro tem uma inteligência de luta maior do que seu rival, que por vezes parece ser muito afoito, e nesse momento pode sair derrotado. Apesar de ser um grande finalizador, Jacaré não consegue uma vitória dessa maneira desde 2017, e penso que contra Holland chegou a oportunidade ideal.
 

Junior Cigano x Ciryl Gane

O nome Junior Cigano ainda traz consigo muitas glórias, mas suas apresentações recentes pouco lembram o que em outros anos foi detentor do cinturão dos Pesos-Pesado. O brasileiro vem de três derrotas seguidas, todas por nocaute, e quer reencontrar o caminho da vitória. Resta combinar com Ciryl Gane, francês de 30 anos que está invicto na carreira, mas que disputou apenas seis lutas, três delas no UFC.

Cigano pegou três potentes adversários em seus últimos confrontos e, contra Gane, terá a oportunidade de lutar com alguém que não tem a mão tão pesada. Porém, seu adversário sabe usar com maestria seu jogo de pernas, o que a longo prazo pode afetar no fôlego do brasileiro, que leva vantagem em lutas mais estáticas. Cigano luta por uma oportunidade, enquanto que Gane tem todas as habilidades necessárias para controlar o embate. Duelo complicado para o Brasil.

 

Brasileiras no Card Preliminar
 

Virna Jandiroba x MacKenzie Dern

Importante duelo válido pelo peso-palha feminino. É bem provável que quem sair vencedora no embate abocanhe um lugar no top 10 da divisão e comece a sentir o cheiro de lutas mais decisivas.

Virna perdeu sua invencibilidade na carreira ao perder para Carla Esparza em sua estreia no UFC. Entretanto, duas finalizações, sobre Mallory Martin e Felice Herrig, a fizeram ganhar espaço na divisão. Sua rival, Mackenzie Dern, também perdeu a invencibilidade recentemente, ao ser derrotada por Amanda Ribas, e também engrenou duas vitórias em sequência e, tal qual Jandiroba, ambas por finalização.

Será uma luta interessante entre duas grandes finalizadoras, e vai ser um deleite para os amantes do grappling. Porém, o MMA nos reserva diversas opções, e em um confronto de estilos tão confluentes, a luta em pé pode ser o diferencial. Virna ainda não nocauteou na carreira, assim como Dern, mas parece ter mais força neste quesito.
 

Demais lutas

Cub Swanson x Daniel Pineda

Gavin Tucker x Billy Quarantillo

Tecia Torres x Sam Hughes

Chase Hooper x Peter Barrett