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Confira quais são as próximas estrelas que podem mudar de casa na NBA

24 de setembro de 2021

(por AC Carvalho)
 

Contar com estrelas que constantemente são convocadas para o All-Star Game faz com que franquias aumentem a barra de expectativa para a temporada que está por começar. Quando esses jogadores atingem o status de superestrela, a barra sobe ainda mais e começa a se pensar em título de conferência e da própria NBA. Essa tem sido a tônica de franquias como Los Angeles Lakers, Brooklyn Nets, Milwalkee Bucks, Phoenix Suns e algumas outras. O elenco desses times foi montado bem o suficiente para fazer com que o torcedor comece a temporada já sonhando com um anel de campeão ao final dela.

Só que esse não é o caso de todos os times que contam como um astro em seu plantel. Algumas dessas franquias, apesar de possuírem uma superestrela, não empolgam o torcedor e nem fazem com que os analistas e a mídia o coloquem numa posição de contender, ou seja, de candidato a título. Outras franquias que contam com uma estrela possuem expectativas ainda menores, pois sequer têm conseguido alcançar uma vaga para disputar a pós-temporada.

Essas situações fazem com que os principais jogadores dessas franquias, que normalmente carregam o time até onde conseguem, se sintam desprestigiados em relação ao suporte que é oferecido a eles. Quando essa frustração se acumula por alguns (ou muitos) anos, um pedido de troca pode ser a inevitável consequência.

Num cenário menos provável, existe a possibilidade de uma franquia possuir duas ou mais estrelas e, por conta de ego ou da falta de encaixe entre seus astros, uma das estrelas acabar preferindo seguir um outro caminho, sendo provável um caminho onde ela se sinta mais prestigiada e se torne a primeira opção indiscutível em sua nova casa.

Pensando nessas possibilidades, a seguir são listadas quatro estrelas da NBA que apresentam maior possibilidade de mudar de camisa durante a próxima temporada ou ao final dela, caso os times em que se encontram agora não deem um salto de evolução que as façam mudar de ideia.

Damian Lillard

Desde que teve seu nome chamado na 6ª escolha do draft de 2012, Lillard tem sido leal e comprometido com Portland, mas não só a franquia do Oregon, porém também com a cidade e com o torcedor do Trail Blazers. Damian Lillard é a cara da franquia e o sucesso do time tem sido a capacidade do astro carregar elencos minimamente questionáveis em seus ombros.

Em seus 9 anos de Portland, Lillard foi à pós-temporada em 8 oportunidades, tendo sido eliminado logo de cara, na 1ª rodada, em mais da metade delas – 5 vezes. Em contrapartida, Lillard venceu apenas 4 séries de playoffs em sua carreira: são mais eliminações de 1ª rodada do que séries de pós-temporada vencidas. Nada bom. Portland não tem proporcionado um elenco bom o suficiente para que sua superestrela consiga levar o time mais longe.

Após a eliminação para um desfalcado Denver Nuggets poucos meses atrás, Lillard declarou publicamente insatisfação com o rumo da franquia pela primeira vez. O astro de Portland deixou claro o que todos já sabiam: o elenco é bom o suficiente para ganhar muitos jogos, mas não para ganhar quando mais importa. Por conta disso, Damian Lillard deixou em aberto seu futuro com a franquia, esperando movimentações mais agressivas do Front Office dos Blazers, sendo algo que não aconteceu nos últimos anos.

Por enquanto não devemos ver uma troca envolvendo Lillard, mas caso os Blazers continuem numa zona de ser bom, mas não bom o bastante, é possível que num futuro próximo ocorra um pedido de troca que colocaria o GM Neil Olshey numa situação extremamente desconfortável para decidir qual rumo tomar com a franquia do Oregon.

Bradley Beal

A estrela de Washington tem tido até menos sucesso que Lillard em Portland, pois desde que ingressou a NBA em 2012, Beal foi a pós-temporada em apenas 5 oportunidades, sem ter tido uma real chance de conquistar um anel de campeão. Além disso, os elencos que foram montados ao seu redor, e de John Wall – na maior parte da carreira de Bradley Beal – foram insuficientes para colocar os Wizards entre os candidatos ao topo da Conferência Leste.

Nas duas últimas temporadas o Front Office da franquia de Washington se movimentou para buscar um melhor elenco ao redor de Beal, tendo trocado Wall por Russell Westbrook, e depois o próprio Westbrook por um time que, na teoria, será mais equilibrado para a próxima temporada. As mudanças no elenco foram realizadas com o aval de Beal, então se imagina que a estrela ainda esteja engajada com o futuro da franquia. Entretanto, a possibilidade de Beal se tornar um agente livre irrestrito em 2022, bem como declarações do jogador que colocam seu futuro pela franquia em cheque fazem com que o torcedor dos Wizards comece a pensar se essa não será a última temporada do camisa 3 na capital americana.

Zach LaVine

Outro jogador que poderá testar o mercado no próximo ano é a estrela do Chicago Bulls. LaVine, assim como Beal, tem tido pouca ajuda ao seu redor para brigar na Conferência Leste. Desde que chegou em Chicago, na troca que envolveu a ida de Jimmy Butler ao Minnesota Timberwolves, LaVine tem feito o possível para minimamente levar os Bulls nos playoffs, sendo algo que o camisa 8 jamais teve a oportunidade. Sim, LaVine jamais disputou uma partida de pós-temporada.

Visando mudar esse cenário, o Front Office de Chicago passou a adotar uma postura mais agressiva a partir da última trade deadline, quando trocaram Wendell Carter Jr. e escolhas de primeira rodada por Nikola Vucevic. E os Bulls não pararam por aí, na última Free Agency a franquia foi atrás de DeMar DeRozan e Lonzo Ball para reforçar o frágil quinteto inicial que tinha sido montado anteriormente.

Caso as adições de Vucevic, DeRozan e Lonzo Ball não sejam o suficiente para ajudar Zach LaVine a disputar uma partida de pós-temporada pela primeira vez em sua carreira, é possível que vejamos o ala-armador buscando novos ares para o seu futuro em 2022.

Ben Simmons

A situação mais provável de mudança de uma estrela da Liga é a que envolve Ben Simmons e o Philadelphia 76ers. A tensão entre jogador e franquia parece ter alcançado um ponto de impossível reversão, uma vez que Simmons declarou que sequer aparecerá para o Training Camp que se inicia na próxima semana. Disse também que não tem a intenção de vestir uma camisa da NBA novamente caso não seja trocado.

Entretanto, desde que recebeu o pedido de troca após os playoffs deste ano, Daryl Morey – presidente de operações dos Sixers – alega não ter recebido oferta de um pacote que seja bom o suficiente para abrir mão de sua estrela. Algumas franquias, como Minnesota e Toronto, permanecem interessados em contar com os serviços do camisa 25, mas para que uma troca se concretize nos próximos dias, ou semanas, provavelmente terão que oferecer mais jogadores e/ou escolhas de draft a Morey.

Apesar do insistente pedido de Ben Simmons, os Sixers seguem tentando permanecer seu All-Star pelo menos até o início da temporada, com o intuito de fazer com que boas atuações do armador restaurem seu valor de mercado.

Apesar de tudo, uma troca envolvendo uma estrela é sempre difícil de ser concretizada

Concretizar a troca envolvendo uma estrela nunca é fácil e os motivos são diversos: saber que o retorno dificilmente será tão bom quanto o ativo que você está abrindo mão; conseguir fazer bater os contratos dos envolvidos na troca; replanejar o futuro do time sem seu principal jogador (ou um dos principais); dentre outros. Porém, apesar de ser difícil finalizar um negócio dessa magnitude, não há como subestimar o poder de definir seu futuro que as estrelas possuem atualmente na NBA.

Quando um All-Star faz um pedido de troca, o Front Office da franquia é colocado contra a parede e se vê numa difícil situação de tentar buscar um retorno aceitável pelo seu jogador. Receber outra estrela do mesmo calibre nunca acontece, então as opções normalmente envolvem jovens talentos e escolhas de draft.

Quando se abre mão de um All-Star consolidado por jovens atletas e escolhas que resultarão em outros novos talentos, o rumo da franquia muda e o objetivo passa a ser outro. Excluindo a situação do Simmons, onde os Sixers esperam um retorno que o mantenham na posição de seguir brigando alto, as outras três franquias (Portland, Washington e Chicago) devem traçar novos objetivos caso suas principais estrelas oficializem um pedido de troca.

Os próximos dias devem ser decisivos para a resolução do futuro de Ben Simmons. O mais esperado é que ocorra uma troca antes mesmo da temporada começar. Já para Lillard, Beal e LaVine, o que se espera é que todos eles comecem a temporada por seus atuais times na esperança da situação ser mais favorável em comparação àquela em que estavam nos últimos anos.