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Confira os 15 principais prospectos de ataque (exceto QBs) para o Draft 2020

21 de abril de 2020

(por Ricardo Menegueli)

 

Sabemos que o Draft da NFL talvez seja o momento mais importante da off-season da NFL, já que há o salary cap para manter o equilíbrio na liga, e a seleção dos jogadores vindos de faculdades garante talentos novos a um custo mais baixo. Se você consegue selecionar bom jogadores no draft, significa mais dinheiro disponível para gastar com outros jogadores que já estão na liga. Dito isso, vamos falar sobre os principais prospectos ofensivos desse Draft, passando por wide-receivers, running-backs, jogadores de linha ofensiva, e tight-ends, deixando de lado apenas os quarterbacks, que já foram analisados em uma matéria específica da posição aqui na Playmaker.

A classe de wide-receivers do ano de 2020 traz um ingrediente interessante. Como os principais recebedores da liga estão ficando cada vez mais caros, os times buscam ainda mais os talentos no draft, pois precisam achar soluções para receber as bolas e ao mesmo tempo aliviar o cap para outras posições essenciais do elenco. Além disso, alguns times já estão tirando proveito de boas escolhas nos últimos dois recrutamentos, como o Denver Broncos que se desfez de Emmanuel Sanders e Demaryius Thomas para apostar em Courtland Sutton como seu principal recebedor e conseguir economizar uma grande quantia na troca de suas duas ex-estrelas ofensivas, ou o Seattle Seahawks, que conta com o jovem DK Metcalf como um dos principais alvos para Russell Wilson. Mais uma vez, um bom draft em posições-chave é crucial para ter sucesso na NFL.

A posição mais carente ofensivamente falando nesse draft é a de tight-end, já que a classe não é tão promissora assim. Acredita-se que as melhores peças saiam a partir da segunda rodada, diferentemente da temporada passada quando Iowa colocou 2 jogadores da posição nas primeiras 16 escolhas gerais do Draft. A classe promete ser modesta, mas não podemos esquecer também que isso depende muito das necessidades de cada time. Um jogador de segundo round não necessariamente é ruim.

A classe de linha ofensiva tem pelo menos 5 talentos que vão se destacar. Ao menos 3 tackles estão muito cotados para saírem no Top15, já que podem atuar em mais de uma posição na linha. Eu particularmente acho a classe brilhante, com jogadores que podem figurar entre os titulares da liga já na semana 1.

No backfield nada muito diferente do ano passado. Nenhum running-back da classe têm um talento especial que tenha sido notado até o momento por todos que cobrem o futebol americano universitário. Achar o novo McCaffrey ou Saquon Barkley parece um distante, porém, trata-se de uma posição que apenas os excepcionais ganham destaque no draft, tendo pouquíssimos exemplos de atletas que foram selecionados nas primeiras 5 ou 10 escolhas gerais. Sendo assim, é possível (e provável) que algum jogador se destaque mesmo não estando sob os holofotes nesse momento.

Depois de darmos um panorama geral, vamos ao que interessa. Os 15 melhores talentos ofensivos – lembrando que excluímos os quarterbacks da lista - de acordo com a nossa análise para o draft 2020, e também a previsão do momento que o jogador será escolhido:


CeeDee Lamb, WR, Oklahoma – Top 15

Lamb talvez seja o prospecto mais pronto para a NFL de todo o draft 2020, a ponto de algumas pessoas compararem seu estilo de jogo ao de DeAndre Hopkins ou Davante Adams – apesar de eu achar muito cedo para este tipo de comparação. Ele foi responsável por 1327 Jardas e 14 Touchdowns e poderia ter feito mais caso o quarterback de Oklahoma fosse mais consistente. Ponto positivo para ele? Sim. Ele não reclamou em nenhum momento de seu Quarterback e mostrou, em muitas vezes, um caráter ímpar, além de um espírito de equipe muitas vezes difícil de encontrar em Wide-Receivers na NFL – muitos conhecidos por serem verdadeiras primadonnas.
Aliado a tudo isso, ele mostrou habilidades incríveis para correr rotas e fazer ajustes em recepções complicadas. O único ponto de atenção é a fama de festeiro que ganhou em Oklahoma. Nada que um bom técnico que o ajude a manter o foco ao longo da temporada. Se eu fosse General Manager, faria esforços para tê-lo em meu time neste draft.


Jedrick Wills, Tackle, Alabama – Top 15

Não podemos negar as habilidades atléticas de Wills. Além de muito forte,é ágil, atlético, além de ter bom tamanho. Tudo que os times procuram num tackle, já que ano após ano os pass-rushers estão mais rápidos, fortes, atléticos, com ótimos jogos de mãos e colocando muita pressão mais rapidamente nos quarterbacks adversários.
Wills correu para 5.05 no 40yd, e somado a todos os outros drills, foi uma das estrelas do combine. Além disso, foi grande colaborador das ótimas atuações de Tua Tagovailoa no futebol universitário. Vendo seus vídeos, me parece pronto para começar um jogo na NFL já no primeiro snap da temporada – acredito que o top10 está até conservador, tem grandes chances de ele sair nas seis primeiras escolhas.


Mekhi Becton, Tackle, Louisville – Top 15

Se Wills pode ser considerado um tackle “com bom tamanho”, Becton trata-se de uma aberração. Becton tem na sua ficha 161 quilos, além de 2 metros de altura. Talvez você esteja pensando que ele deve ser lento, certo? Errado. Comparado com Wills, que correu 5.05 os 40yd, Becton Correu 5.10s. Diferença quase irrelevante dada a disparidade de tamanho entre ambos, já que Wills tem 141 kgs e 1.92cms. Além disso, Becton parece tão pronto quanto Wills, tem um talento nato para a posição, se move bem para seu tamanho e sustenta seus bloqueios já em nível de NFL. Se o seu time prefere um Offensive Tackle gigante, Becton será um alvo para sua equipe. Duvido que passe do Top10, mas como temos muitas equipes nas primeiras escolhas com necessidades múltiplas, se for escolhido depois de Wills ele pode escorregar um pouco na lista.


Tristan Wirfs, Guard/Tackle, Iowa – Top 20

Wirfs tem a seu favor o fato de poder ser Tackle ou Guard – flexibilidade que pode ser muito útil para a equipe ao longo da temporada. Além disso, correu para impressionantes 4.85 nos 40yd, foi um grande destaque no combine em todos os drills que participou e muitos times reconheceram que a flexibilidade de poder o usar como Right Tackle, Guard ou até Left Tackle acaba sendo um atrativo. Apesar dessa flexibilidade quase incomum na NFL atual, ele tem mais a trabalhar comparado com Wills e Becton. É óbvio que ele é um ótimo jogador, mas sua partida contra Michigan foi muito abaixo do esperado. Olhando seus vídeos, também está claro que ele precisa trabalhar suas reações na troca de direção dos pass-rushers, ele tem dificuldade de assimilar um spin, por exemplo, e em algumas vezes ficou na saudade com alguma facilidade. De qualquer modo, sua versatilidade o torna uma boa aquisição. Duvido que passe da primeira rodada.


Andrew Thomas, Tackle, Georgia – Top 20

Muitos podem preferir Thomas a outros Tackles mencionados, porém vendo seus vídeos, apesar de sólido e consistente, não me parece excepcional. Ele parece mais lento e que precisa de pequenos ajustes para a NFL, mas os times podem trabalhar isso para a semana 1. Apesar da minha opinião ser de fato, pessoal, muitos analistas acham que Thomas pode inclusive passar à frente de Becton e Wills, sendo o primeiro tackle a ser escolhido no draft 2019. Thomas foi decisivo em alguns jogos, anulando bons pass rushers especialmente na última temporada da NCAA, com destaque para seu jogo contra Georgia e Florida. Ele pode não ter todos os atributos físicos e atléticos dos demais tackles de primeiro round da NFL, mas foi consistente e trabalha muito bem os bloqueios, tanto protegendo o quarterback quanto o jogo terrestre.


Tristan Wirfs, Guard/Tackle, Iowa – Top 20

Wirfs tem também a seu favor o fato de poder ser Tackle ou Guard – flexibilidade que pode ser muito útil para a equipe ao longo da temporada. Além disso, correu para impressionantes 4.85 nos 40yd, foi um grande destaque no combine em todos os drills que participou e muitos times reconheceram que a flexibilidade de poder o usar como Right Tackle, Guard ou até Left Tackle acaba sendo um atrativo. Apesar desta flexibilidade quase incomum na NFL atual, ele tem mais a trabalhar comparado com Wills e Becton. É um otimo jogador, mas sua partida contra Michigan foi muito abaixo do esperado. Olhando seus vídeos fica claro que ele precisa trabalhar suas reações da troca de direção dos pass-rushers, ele tem dificuldade de assimilar um spin, por exemplo, e em algumas vezes ficou na saudade com alguma facilidade. De qualquer modo, colocá-lo como Guard ou Right Tackle é uma ótima aposta. Duvido que passe da primeira rodada.


Jerry Jeudy, WR, Alabama – Top 20

Apesar do sonho de consumo de 8 entre 10 pessoas que acham que seu time precisa de um recebedor ser Lamb, Jeudy não fica muito atrás. Algumas pessoas o classificam como um prospecto do nível de Lamb, um ou outro até acredita que ele tenha mais margem para desenvolvimento. Muitos o classificaram como a estrela do combine, especialmente por ter feito entrevistas muito boas e ter superado as expectativas dos entrevistadores. Ele corre rotas muito bem, gosta muito das jogadas em profundidade e atuou com destaque como bloqueador para seus companheiros passarem correndo com a bola. Se o seu time precisar de um jogador para big plays e que pode ajudar os running backs após as trincheiras, Jeudy é o cara.
Ah... ele recebeu 1163 jardas e 10 touchdowns na última temporada da NCAA, ótimas credenciais.


Henry Ruggs III, WR, Alabama – 1st round

Bom, talvez você não goste de recebedores com o perfil de Jeudy, e queira um jogador muito rápido pois seu time tem dificuldades de trabalhar longos passes e o segundo nível da defesa, então Ruggs vai atender o seu time perfeitamente. Ele correu no combine 40yd em 4.27, mostrou ao longo das duas últimas temporadas, que pode ser mortal em big plays. Seus números em jardas não são tão impressionantes, já que recebeu 746 jardas, mas ele conseguiu estes números com apenas 40 passes – além de ter marcado 7 touchdowns. Talvez seu time já tenha um wide-receiver de elite, mas não tem um segundo recebedor para alongar o campo e facilitar a vida da estrela, Ruggs deve ser o cara. Como alguns times precisam de recebedores rápidos, duvido que Ruggs fuja da primeira rodada. Importante mencionar que ele entrou no protocolo de concussão no Citrus Bowl, mas nada alarmante.


Justin Jefferson, WR, LSU – Top 50

Jefferson foi o recordista de jardas da última temporada entre as minhas escolhas de texto, com 1540 jardas e 18 touchdowns. Sabemos que este ponto com certeza vai contar a seu favor, mas ele foi parte integrante de uma temporada brilhante de Joe Burrow, portanto pode haver alguma ressalva ao recebedor de LSU. Apesar disto tudo, eu gostei do que vi – não adianta receber passes perfeitos se você tem mãos de alface. Além disso, Jefferson mostrou que gosta de treinar e se dedica muito – era comum vê-lo continuar treinando após as rotinas na LSU, procura química com seus companheiros de equipe e gosta de competir – naturalmente de ganhar. Também mostrou que sabe usar uma eventual vantagem de altura contra os defensive backs e vai dar trabalho para os treinadores adversários sobre como marcá-lo, já que mostrou no combine que pode ser mais rápido do que o esperado em suas partidas na NCAA.


Cesar Ruiz, Center/Guard, Michigan – Top 50

Talvez Ruiz tenha evoluído tão rápido na última temporada da NCAA que fará algum time feliz, especialmente como Center – apesar de poder ser Guard também. Ele faz bons bloqueios, foi sólido na proteção do pocket de Michigan e foi um excelente bloqueador para rotas terrestres. Parecia um veterano jogando, apesar de, se quisesse, ter mais um ano de NCAA para jogar. Além disso, Ruiz fez um ótimo combine, mostrando suas capacidades atléticas e com certeza conseguiu chamar a atenção dos times que precisam, urgente, de um center para o franchise quarterback chamar de seu. Alguns prospectos apontam Ruiz como top75/top100, mas acho pouco provável que passe do segundo ou saia até no primeiro round.


Jonathan Taylor, RB, Wisconsin – Top 50

Taylor correu para 2000 jardas no ano passado e marcou 21 touchdowns. Corre 40yd em 4.39s. Tem habilidades que chegaram a impressionar os scouts no combine. Porque ele está apenas para o segundo round? Fumbles. Taylor gerou 17 fumbles em seu histórico na NCAA, um número alto para quem quer chegar na NFL. Apesar de alguns times terem confessado aos insiders de que este atleta pode sim sair na primeira rodada, a quantidade de bons running backs na liga atualmente não justifica um investimento muito alto e talvez ele escorregue para o segundo round, coisa que eu acredito de verdade. Apesar disso, a visão de jogo aliada ao brutal (assistam os vídeos, vale a pena) stiff arm do atleta pode ajudá-lo a subir no draft.


D`Andre Swift, RB, Georgia – Top 75

Na temporada 2019 da NCAA, Swift correu 1216 jardas, além de pouco mais de 200 recebidas e um total de 8 touchdowns (7 corridos, 1 recebido). O número de jardas corridas de certa forma é expressivo considerando os adversários de Georgia na temporada, mas nada espetacular que chamasse atenção dos times para considerarem um top prospect. Apesar disso, ele se mostrou potencial para jogar as 3 descidas, mostrando boa visão, agilidade, capacidade de mudar direção com facilidade, além de versatilidade. Talvez trabalhar um pouco mais sua capacidade de receber passes o colocaria no nível dos atuais RB elite, mas fazendo justiça ao prospecto, ele parece que chega mais pronto na NFL que Josh Jacobs, um dos principais prospectos do ano passado na posição, que foi eleito o novato ofensivo do ano.


Adam Trautman, TE, Dayton – Top 75

Sobra para o terceiro round ou será escolhido no primeiro dia? Trautman divide opiniões e, apesar de sua capacidade de correr rotas, bloquear e ser bom em recepções, ele correu 40yd em 4.80s – relativamente devagar em comparação com seus principais competidores na posição, que correram entre 4.55 e 4.70. Apesar disso, ele pode ser útil a qualquer equipe, especialmente as que ainda não acharam um tight-end para chamar de seu. Trautman passou perto das 1000 jardas e anotou 14 touchdowns. Foi uma peça sólida na red zone e muitos times podem se interessar por suas capacidades e atributos físicos para atuar nas trincheiras ou receber passes, dependendo do playbook.


Clyde Edwards-Helaire, RB, LSU – Top 75

O maior destaque a ser atribuído a Edwards-Helaire é a capacidade de ser um bom corredor e um bom recebedor de passes. Por muitas vezes vimos como essa capacidade tem auxiliado as equipes a mudar seu estilo de jogo para melhor, e o prospecto da LSU sabe como fazer isso. Correu para 1414 jardas e marcou 16 touchdowns corridos, além de 453 jardas aéreas e uma recepção para touchdown. Assim como os dois primeiros da lista, sua visão de jogo e agilidade para trocar de posição são destaques importantes para o prospecto, mas apesar disso ele também deve transitar entre as escolhas de segunda e terceira rodada.


Cam Akers, RB, Florida State – Top 100

Mais um que estourou a marca das 1000 jardas corridas na temporada passada, marcando 14 touchdowns. Alguns olheiros dizem que ele lembra Kareem Hunt, mas acho que está cedo e talvez seja injusto comparar com um atleta já na NFL.  Ele mostrou seu valor em alguns jogos da Florida State, o que fará com que o atleta saia nos 3 primeiros rounds. Ele não tem a mesma capacidade de trocar de direção como outros mencionados nesta lista, porém ele faz leituras precisas dos gaps e não tem um histórico de fumbles como Jonathan Taylor. Com isso, o atleta talvez seja escolhido no terceiro round, mas se uma equipe bancá-lo no segundo round não será nenhum absurdo. Notei em alguns vídeos que o atleta gosta de contato e muitas vezes o procura, mas esta característica é bem comum em muitos running-backs.


J.K. Dobbins, RB, Ohio State – Top 100

Dobbins traz em sua última temporada na NCAA, 2003 jardas corridas, com 21 touchdowns. Seu principal destaque foi a sua força física e sua capacidade de ignorar alguns tackles. Sim, ignorar alguns tackles. Isso pode ser impressionante em um compilado de melhores momentos, mas isso criou turnovers ao longo da última campanha de Ohio State. Talvez ele lembre mais os os running-backs antigos, que gostam de atacar a trincheira e ir pra cima da pancadaria, diferente dos demais. Seu centro de gravidade é baixo e sólido, conseguindo algumas jardas extras após o contato e foi peça importante, de fato, para o ataque de Ohio State. Tem capacidade para ser um 3running-back de 3 descidas, mas acredito que, assim como Cam Akers, deve começar alternando com um corredor mais experiente nos primeiros 2 anos de liga para quem sabe atingir o protagonismo. Eu gosto muito de seus estilo, mas pode causar alguns calafrios para os torcedores da franquia que o escolher. Acredito que ele será draftado no segundo ou terceiro round.