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Confira a análise completa da final da NBA entre Boston Celtics e Golden State Warriors

1 de junho de 2022

(por Rafael Lima)


A NBA chegou a mais uma final, desta vez com duas das franquias com mais títulos da liga. Teremos nada menos do que 23 títulos em quadra, sendo 17 dos Celtics e 6 dos Warriors. Boston busca a retomada da hegemonia isolada, desgrudando dos Lakers, que também tem o mesmo número de troféus, enquanto o Golden State tentará desempatar com o Chicago Bulls, assumindo o terceiro lugar geral isolado, com 7.

Em quadra, as conquistas são bem diferentes, já que nenhum jogador celta foi campeão, enquanto cinco jogadores dos Dubs conquistaram o Larry O’Brien, sendo Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green e Andre Iguodala tricampeões, além de Kevon Looney, que venceu duas vezes.


Trajetórias diferentes. Narrativas fortes e bem peculiares

Os celtas começaram a competição muito mal, criticados, com diversas derrotas, discussões no elenco, desconfiança em relação ao trabalho de Ime Udoka e nenhuma projeção de favoritismo, entrando em janeiro no 11º lugar do oeste. Porém, após a virada do ano, tudo mudou, os Celtics implementaram uma defesa espetacular (terminou sendo a melhor da liga), tanto de garrafão, quanto de perímetro, e foram o melhor time da NBA de 2022, terminando a temporada regular em segundo na difícil Conferência Leste.  

Nos Playoffs, a trajetória foi dificílima, enfrentando de cara o Brooklyn Nets de Kevin Durant e Kyrie Irving, que foi varrido pelos C’s. Depois o adversário foi o campeão Milwaukee Bucks, do espetacular Giannis Antetokounmpo, e Boston venceu por um difícil 4 a 3. Na final, o time de melhor campanha da conferência, o Miami Heat do “playoff” Jimmy Butler, para mais uma demonstração de força celta, vencendo o jogo 7 em South Beach.

O caminho épico do Boston Celtics traz uma narrativa de superação, ajustes, conjunto, resiliência e camisa pesada. E é com tudo isso que os C’s chegam na decisão.

Já o Golden State Warriors sempre esteve entre os três primeiros do Oeste. Stephen Curry começou a temporada atuando de forma espetacular, sendo colocado na briga pelo título de MVP e a expectativa era de disputa entre os californianos e o Phoenix Suns pela melhor campanha geral. Só que os Dubs foram perdendo o fôlego com problemas de lesões, a principal delas, a de Curry, em jogada com Marcus Smart, dos Celtics. A queda de rendimento do time de San Francisco culminou no terceiro lugar da Conferência Oeste, sendo superado pelo surpreendente Memphis Grizzlies.

Nos Playoffs, o Golden State Warriors jogou a maioria dos jogos como um verdadeiro campeão, superando todos os adversários com certa facilidade, aplicando 4-1 nos Nuggets de Nikola Jokic, 4-2 no Memphis Grizzlies que não contou com Ja Morant por quase toda a série, e 4-1 na final diante do Dallas Mavericks do fantástico Luka Doncic, precisando de 16 jogos para chegar na decisão, dois a menos que o adversário.

Com a segunda melhor defesa da NBA e um ataque espetacular liderado por Stephen Curry e Klay Thompson, a narrativa dos Dubs é a da dinastia, da genialidade, da consistência, competência e do basquete contemporâneo. Esse é o peso que o Golden State Warriors traz para essa decisão.


O que esperar?

O Golden State Warriors começa a decidir a competição em casa. Além disso, o time está mais descansado e os Celtics tem seus dois melhores defensores como dúvida para o Jogo 1, Robert Williams e Marcus Smart não estão 100%.

Sendo assim, a primeira partida tem um favorito claro, o mandante. Porém, os C’s não perdem duas partidas seguidas desde 8 de janeiro e, caso poupem Smart e o ‘Timelord’, entrarão “babando” e possivelmente com força máxima para o duelo. De cara, esse me parece o confronto mais importante dos quatro primeiros.  

A série em Boston pode chegar mais encaminhada. Se os Warriors desembarcarem com 2 a 0, a moral celta poderá estar abalada e, dificilmente os Celtics buscariam o 2 a 2. Agora, se os C’s roubarem um confronto em San Francisco, os jogos no TD Garden ganharão contornos épicos e o equilíbrio deverá permanecer.

Dentro de quadra, dois times que são diferentes e parecidos ao mesmo tempo, pois se estamos falando das duas melhores defesas da temporada e dois ataques que abusam dos arremessos do perímetro, o potencial de garrafão celta é muito superior, porém, a transição dos Dubs é muito mais mortal. Os jogos exigirão concentração o tempo inteiro de ambas as partes, pois minutos de apagão em equipes desse nível devem ser fatais.


Quem pode decidir?

Quando se fala em jogador decisivo, é claro que temos que mencionar Stephen Curry. Além dele, o “splash brother” Klay Thompson também não pode ser esquecido. Mas o olho vivo deve ficar em Jordan Poole, pois o garoto vem crescendo bastante e pode ser uma ótima válvula de escape para possíveis dobras nos astros do time. Isso sem falar em Draymond Green e Kevin Looney, que terão que ser efetivos nas brigas de garrafão para que time não seja amassado em tocos e rebotes.

Já do lado verde, Jayson Tatum e Jaylen Brown são os jogadores que puxam a fila na pontuação, porém, devemos ficar de olho em Marcus Smart. O defensor do ano, pode dificultar a vida de Curry e, se tiver com a mão calibrada no ataque e não insistir em tentar decidir as partidas nos minutos finais, pode ser a chave das vitórias, juntamente com o domínio de garrafão de Robert Williams e Al Horford, que podem tornar os Celtics soberanos nos rebotes.


Considerações finais

Uma final espetacular. Tudo leva a crer que teremos jogos bastante equilibrados e uma série longa. Os Warriors chegam mais inteiros e apresentando muito mais experiencia nesse tipo de partida, porém, tiveram adversários acessíveis nos playoffs e podem ter um choque de realidade diante dos Celtics, que por sua vez, terão que superar o desgaste dos confrontos anteriores, para terem chance de levar o 18º Larry O’Brien para Boston.

As finais da NBA começam nesta quinta-feira (02/06), às 22 horas, com transmissões da ESPN e da Band.

Que comecem os jogos!