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Chris Paul impecável comanda os Suns em jogo histórico, levando o time do Arizona às finais da NBA após quase 30 anos

1 de julho de 2021

(por Sérgio Viana)
 

O Los Angeles Clippers se acostumou nesses playoffs a enfrentar esses jogos do tipo "win or go home” e, nesta noite, jogo 6 com 3-2 no placar da série não foi diferente.

O Phoenix Suns tinha mais uma chance de fechar a série e chegar à final da NBA pela primeira vez desde 1993, naquele time de Barkley, Ainge e Majerle.

Com isso, tínhamos todos os ingredientes para um grande jogo.

Paul George e Reggie Jackson carregavam a responsabilidade de conduzir os Clippers mais uma vez sem o lesionado Kawhi Leonard. Chris Paul e Devin Booker queriam fazer valer a melhor campanha e o certo favoritismo.

Os times, ambos com suas jerseys "Statement Edition" com a logo do Jordan estampada, começaram o duelo de maneira semelhante, querendo punir o adversário com o jogo de garrafão.

Os Clippers, mais uma vez com uma defesa por zona, porém, mais para uma 2-1-2 do que para 2-3, seguraram bem o jogo até o 9 a 9, quando Chris Paul acertou dois arremessos de três seguidos, um em uma falha na troca de marcação e outro contestado, obrigando Lue a parar o jogo pela primeira vez com pouco mais de seis minutos faltando para o final do 1º quarto.

No retorno com os times iniciando a rotação, os Suns conseguiram colocar Ayton no jogo e fazer valer sua superioridade no garrafão, com o embate ainda equilibrado e o placar 23 a 20 com 02:23 faltando no relógio.

O Phoenix Suns ameaçou abrir uma diferença maior no final do quarto, mas com uma bola tripla de Reggie Jackson e uma espírita de “Boogie" Cousins no estouro do cronômetro, o time da casa se recuperou e fechou o primeiro quarto com desvantagem de quatro pontos (33-29). LA ficou no lucro, na medida que apesar dos cinco pontos de Cousins, Booker e Payne aproveitaram bem a presença dele com Morris em quadra e chutaram em transição com mais facilidade.

O Phoenix Suns voltou melhor no início do segundo quarto, principalmente por conta de explorar bem a defesa em zona dos Clippers, além de Payne e Paul explorando o Pick & Pop com Saric, que guardou duas bolas de três e, numa corrida de 12-6, obrigou mais um vez Lue a parar o jogo cedo com o relógio marcando 09:14 para o fim da primeira metade do jogo e 45 a 35 no marcador.

O LA Clippers conseguiu equilibrar o jogo, principalmente porque mesmo com Cousins bem no ataque, estava expondo a defesa, Morris entrou no jogo com a bola de fora e Beverley e Jackson pareciam mais ligados no jogo. Booker manteve os Suns na partida e na frente, com inteligência, sem prender muito a bola e chutando rápido, nesse momento com Ayton "fora" do jogo, o que para mim é um erro tático do Suns. Com o relógio a 02:51 do fim, o placar marcava 58 a 52 para os visitantes.

Os Suns continuaram bem na partida, conseguindo manter Paul George discreto e, mesmo com um Beverley alucinado, o Clippers não tinham um bom desempenho, muito por conta da variação de defesa dos visitantes, ora por zona e ora pressionando a bola, e por uma variação no ataque, fechando bem o segundo quarto com 66-57.

O time do Arizona estava disposto a encerrar a série, com um primeiro tempo quase perfeito, 55% de aproveitamento dos arremessos de quadra, quatro titulares com 10 ou mais pontos e destaque para Jae Crowder com 16 pontos, com 4-6 para 3 pontos.

O Los Angeles Clippers não fez um primeiro tempo ruim, mas sofreu demais para pontuar e não conseguiu escapar da armadilha defensiva do adversário, que encaixou bem a marcação, principalmente de Paul George, muito discreto com apenas 6 pontos e 3-8 em arremessos de quadra. O destaque ofensivo ficou por conta de Morris Sr. com 13 pontos e 5-8 arremessos.

O terceiro quarto começou muito parecido com o primeiro tempo, com Crowder quente, mas ele cometeu a quarta falta cedo, com 08:16 no relógio, e foi descansar. Mesmo com Craig em quadra, o Phoenix Suns não dava chances para os Clippers, e com uma corridinha de 14-10, Lue mais uma vez precisou parar a partida com 06:58 no relógio e 80 a 67 no placar. Um jogo defensivo quase perfeito da equipe de Monty Williams até então.

Lue mexeu no time, voltou com Cousins em quadra, mas Bridges acordou e Craig substituiu muito bem Crowder. Resultado? Mais uma corrida do time do Arizona de 9-5, decidido a fechar a série, abrindo 17 pontos faltando 04:01.

O tempo fez bem para os Clippers, que sentiram que a vaca estava arriando, pararam de chutar bolas loucas, e voltaram a arremessarem mais equilibrados, pressionaram a bola e conseguiriam uma improvável corrida de 10 a 0, trazendo a diferença para 7 pontos e ressurgindo no confronto, obrigando Williams a parar a partida pela primeira vez no embate, com 01:49 no relógio, para encerrar o terceiro período com 89 a 82 no placar.

Com duas boas jogadas de CP3 no retorno, o Phoenix Suns voltou a abrir vantagem de 12 pontos. Cousins quase colocou o jogo a perder com uma técnica desnecessária em cima de Paul. Chris Paul ainda teve tempo de gastar o relógio e chutar uma contestada e importante bola de três para fechar o quarto com 97 a 83.

CP3, que essa série vinha de certa forma até discreto, com 18 pontos de média, estava disposto a pregar o caixao de LA. Três posses de bola sensacionais, uma delas com um finta humilhante em seu marcador e uma corrida de 8 a 1 para começar a encaminhar a classificação com Lue desesperado parando o jogo com 09:39 no relógio e 20 pontos de desvantagem no lombo.

A noite era toda do Chris Paul, o homem estava pegando fogo, tudo dando certo para os Suns e mais uma corrida de 11 a 0, praticamente resolvendo a partida com 118-92 no placar, sendo 21 a 9 no último período. Lue parou mais uma vez e o time sentiu, com Beverley perdendo a cabeça e agredindo Paul por trás a 05:49 do final do jogo. Técnica e exclusão de Beverley em final melancólico para ele na série.

A partir daí, era somente gastar o tempo e esperar o apito final para começarmos a resenha de um momento histórico, não antes do necessário "Garbage Time”.

 

Final: Phoenix Suns 130-103 Los Angeles Clippers

 

 

O Phoenix Suns volta à final da NBA depois de 28 anos, 10 anos após disputar a final da Conferência Oeste e ser o primeiro time a ficar tanto tempo fora dos Playoffs e chegar às finais.

Pela primeira vez em 16 anos na liga, sendo o segundo jogador que mais disputou jogos de playoffs sem chegar à 'NBA Finals' (123), Chris Paul, finalmente conquista um título de conferência, o insano Oeste, e disputará pela primeira vez as finais.

CP3, que teve atuação discreta na primeira metade do jogo, simplesmente tomou conta do duelo para não correr risco de um jogo 7 e, com 31 pontos na segunda etapa, fechou a partida com insanos 41 pontos, 16-24 em arremessos de quadra, 7-8 para 3 pontos, 8 assistências, liderando esse jovem time com maestria. Devin Booker com 22 pontos, Jae Crowder com 19 pontos e DeAndre Ayton com 16 pontos e 17 rebotes, foram os responsáveis pela bela partida da equipe muito bem comandada por Monty Williams.

Vou pedir licença aos leitores, e antes de valorizar demais a conquista do Oeste, falar um pouco da performance dos Clippers nesses playoffs.

Não podemos diminuir em nada o feito dos comandados de Ty Lue. Saíram das cordas na série contra os Mavericks, estiveram atrás por duas vezes e fecharam a série em 7 jogos. Não eram favoritos contra a melhor campanha do Oeste do Jazz e, sem Leonard nos últimos dois jogos, venceram brilhantemente a série em 6 jogos com Paul George chamando a responsabilidade e calando os seus críticos.

Chegou pela primeira vez em sua história a uma final de conferência e, por duas vezes, a série acenou para a equipe que deixou escapar por detalhe os jogos 2 e 4, que poderiam ter dado outro destino para as finais.

Parabéns a toda organização dos Clippers, parabéns à Tyronn Lue, que mostrou maturidade e capacidade de tirar o máximo de seu elenco, mesmo com todas as adversidades que encontrou. Seus problemas começam agora, com uma Free Agency em aberto e sem seu assistente técnico, Billups, que assumirá os Blazers na próxima temporada.

Agora com foco nos Suns, essa conquista do Oeste não começou esse ano, é o resultado de um processo de reconstrução da equipe que começou com Devin Booker em 2015. De lá para cá, o time foi recrutando talentos, e entre alguns erros e acertos, teve uma polêmica primeira escolha contestada de DeAndre Ayton em um draft com Luka Doncic e Trae Young.

Monty Williams chegou ano passado à equipe e já mostrava o potencial desse time. Na bolha da Disney, o time terminou invicto e por pouco não se classificou aos playoffs.

James Jones convenceu Chris Paul a se juntar a esse jovem elenco e ser a cereja do bolo de uma equipe com potencial, mas ainda uma incógnita no início da temporada.

Nem o mais otimista fã do time do Arizona poderia apostar em uma campanha de segunda posição no Oeste, brigando pela melhor campanha, em um CP3 saudável durante todo tempo e um entrosamento perfeito com Booker e Ayton.

Logo na estreia dos playoffs enfrentaram os atuais campeões, Lakers, o time a ser batido no Oeste. Vitória de 4 a 2 com o susto da contusão de Paul no jogo 1. Varreram de forma contundente um cambaleante Denver Nuggets. E chegaram fragilizados para uma final de conferência depois de 10 anos, pela ausência de seu principal jogador por conta do protocolo de COVID-19.

Quis o destino a primeira partida em uma aparição de final de conferência de Chris Paul fosse contra sua ex-equipe, com a qual bateu na trave em 2016.

Mais uma vez o destino quis que a partida que o faria campeão de conferência fosse novamente contra os Clippers, novamente no Staples Center, ginásio que tanto o apoiou e que hoje torceu contra, mas que ao final reverenciou seu ídolo, pois ele entregou uma partida brilhante e quase perfeita.

E ainda, quis que ele agradecesse aos seus fãs e demonstrasse todo seu respeito a essa franquia.

Um jogador extraordinário, um extra-classe, que bateu na trave por todas as equipes que passou, que foi trocado na calada da noite duas temporadas atrás pelos Rockets, mas mostrou todo seu valor em um remendado OKC. Agora, ele sente que chegou seu momento.

O basquete merece que esse time dos Suns continue sonhando. O basquete precisa que Chris Paul seja campeão.