Conteúdo

Chicane na reta mistral e como Abu Dhabi não resolverá o problema de ultrapassagens nesse ano

22 de junho de 2021

(por Anderson Rodrigues)
 

Na corrida do último domingo vimos uma certa dificuldade dos pilotos em realizar ultrapassagens em Paul Ricard. Para essa corrida, existiam dois pontos de uso de DRS, um na reta dos boxes e outra na primeira reta Mistral (antes da chicane)Por que raios então se tem a chicane no meio da reta Mistral? A remoção dela poderia criar um ponto de ultrapassagem?

Em 2017, os organizadores do evento disseram que, segundo previsões da FIA, os carros alcançariam a curva Signes a pelo menos 340 km/h. Com a chicane no meio da reta, o objetivo foi criar um ponto de ultrapassagem com a freada forte da curva 8 e dar a possibilidade aos pilotos de se fazer a curva Signes (curva 10, no mapa acima) em aceleração total. Houve até um boato que retas de pistas nível 1 da FIA (que são as homologadas para a F1) não poderiam ter retas acima de 1200 metros, mas não, o limite é de 2000 metros, segundo documento da entidade.

Convenhamos, faz algum sentido, teoricamente. Mas, na prática, vimos carros sofrendo para andar o mais perto possível quando estavam na mesma estratégia (mesmo set de pneus com quantidade de voltas parecido). Um exemplo, Verstappen passou pelas Mercedes como quis sem os pilotos da equipe alemã esboçar reação, e isso não é demérito deles, nem fazia sentido defender uma posição, a ação de defender poderia prejudicar ainda mais os pneus naquela altura.

Um outro bom momento de ultrapassagem é nas voltas iniciais, mas se repararem, a janela é de 5 voltas em média. Numa corrida sem carro de segurança ou bandeira vermelha (como foi em Baku), a corrida passa a ser de estratégia. Perde a graça? Talvez, tem seu charme e há quem goste.

Desce o pano, vamos a Abu Dhabi. Os organizadores da prova emiradense divulgaram que farão alterações no traçado utilizado pela F1 na tentativa de criar pontos de ultrapassagem. Segundo o esboço apresentado pelo site racefans.net, teríamos uma curva a esquerda no lugar da atual seção de curvas 4, 5 e 6, além de uma outra curva de maior raio à esquerda no lugar das curvas 9, 10, 11 e 12.

A tentativa é válida, obviamente, mas talvez para esse ano não surta efeito (por isso a introdução desse texto usando como exemplo a última corrida). A reta que leva para a nova curva 4 ainda é muito curta, e é antecedida por duas curvas rápidas que não favorecem os carros atuais a andarem próximos. A nova curva 7 seria talvez ainda pior para os carros atual, basta ver o número de ultrapassagens que tivemos na reta oposta em Barcelona esse ano, mesmo com a alteração da seção de curvas La Caixa (que não teve o objetivo de entregar um melhor ponto de ultrapassagem, foi entregar mais segurança para os pilotos, principalmente os pilotos de motos).

Vamos torcer para que essas modificações em Abu Dhabi possam entregar um espetáculo melhor já nesse ano, a categoria merece um lugar melhor para encerrar a temporada. Mas na opinião de quem escreve, fatalmente teremos provas mais dinâmicas com o carro do novo regulamente.