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Cerca de 15 mulheres acusam dirigentes dos Redskins de assédio sexual

16 de julho de 2020

(por Henrique Rodrigues)

 

Desde o começo da semana, várias pessoas que cobrem o Washington Redskins falaram que uma notícia grande estava por vir, e ela finalmente veio. Em matéria publicada hoje (16/07) pelo Washington Post, um dos principais jornais dos Estados Unidos, várias mulheres deram relatos de terem sofrido abuso sexual de várias pessoas de alto escalão no time. Encabeçadas por Emily Applegate, funcionária do time em 2014, ela conta que sua rotina consistia em chorar no banheiro com uma funcionária por conta de abuso e assédio sexual. O nome das funcionárias ainda no clube não foram divulgados por motivos legais.
 

Entre os relatos, cinco nomes aparecem constantemente: Larry Michael, Alex Santos, Richard Mann ll, Dennis Greene e Mitch Gershman. Michael era responsável pelas transmissões de rádio do time e era vice-presidente sênior, e foi acusado por 7 ex-funcionárias de discutir a aparência física de uma maneira sexualizada de suas funcionárias. Em 2018, foi pego por um microfone falando sobre a aparência de uma estagiária da equipe. Michael se recusou a dar entrevistas e se aposentou.


Alex Santos era diretor de personnel e foi acusado por 6 funcionárias e duas repórteres que cobriam o time de fazer comentários inapropriados sobre seus corpos e perguntando várias vezes se elas tinham desejo nele. Santos já tinha sido alvo de investigações em 2019, quando uma repórter do The Athletic, Rhiannon Walker, informou dirigentes do clube que ele havia apertado seu bumbum. Nora Princiotti, do The Ringer, também falou que Santos a assediou. Santos foi demitido semana passada.


Mann, que era assistente executivo de personell, teve prints vazados de uma conversa que teve com uma funcionária, afirmando que ele e seus colegas debatiam sobre se os seios das mulheres eram de silicone ou não, e outra conversa em que ele fala para uma mulher esperar por um “abraço inapropriado”. Mann também se recusou a comentar e foi demitido semana passada. 


Greene, antigo presidente de operações comerciais, implorava para que as mulheres usassem blusas decotadas, saias justas e que flertassem com os homens nas negociações, segundo Applegate e 5 funcionárias. Greene trabalhou no time por 17 anos, até ser demitido em 2018 por um escândalo sexual envolvendo as líderes de torcida do time, e também se recusou a comentar.
 

Gershman, ex-supervisor do time, foi acusado por Applegate de culpá-la por coisas bestas, como problemas com a impressora, além de fazer comentários sobre seu corpo. Applegate teve o suporte de duas outras funcionárias, que contaram histórias similares. Gershman, que saiu do time em 2015, também se recusou a comentar.
 

Dan Snyder, atual dono da franquia, e Bruce Allen, presidente do time até ano passado, não tiveram seus nomes citados em casos de abuso, mas as mulheres duvidaram que eles não sabiam o que estava acontecendo, mesmo porque Applegate disse que suas mesas eram muito próximas e ela constantemente chorava no trabalho. 
 

Snyder não foi culpado de assediar alguém, mas por ter implantado uma cultura péssima em Washington, fazendo piadas maldosas com vários funcionários, inclusive Dennis Greene, que era líder de torcida na faculdade, além de não ter investido quase nada na área de recursos humanos, com apenas um funcionário em tempo integral.


Essas alegações colocam holofotes negativos mais uma vez em Dan Snyder. A pergunta é, com a mudança no nome da franquia, não seria melhor um recomeço total, desde funcionários base até o GM do time, além de uma troca de dono?