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Cardinals vencem Seahawks em jogo espetacular, com direito a prorrogação, e embolam a NFC West

26 de outubro de 2020

(por Edmar Jardim)

Seattle Seahawks e Arizona Cardinals se enfrentaram no State Farm Stadium, no Arizona, pelo Sunday Night Football da semana 7.

A partida começou quente,  com uma grande campanha dos Seahawks para abrir o placar. Destaque para Tyler Lockett recebendo com uma mão durante o drive, sendo acionado também no passe de minerva, mostrando já no primeiro drive o que viria adiante. Seattle continuou melhor no primeiro quarto, com boas ações defensivas e também ofensivas, abriu 10 a 0 após um field goal de Jason Myers.

Kyler Murray e sua trupe estavam sumidos, mas apareceram em uma 3&2 quase do meio do campo. Passe para DeAndre Hopkins, touchdown, e o esperado equilíbrio das ações após um início elétrico de partida.

Após o bom começo, Seattle passou a encontrar resistência nas trincheiras e na secundária de Arizona. Boas leituras e belas chamadas defensivas passaram a dificultar a renovação de descidas para Wilson, que precisava se valer de janelas complicadas para renovar os downs. Os Seahawks foram limitados a mais um field goal, que deixou o placar em 13-7 para os visitantes. Aí começou a festa do turnover: fumble de Hopkins recuperado por Seattle; interceptação de Wilson por Budda Baker. A pick-six certa evitada pelo recebedor D.K. Mercalf em um pique que atingiu invejáveis 36 km/h de pico de velocidade. Com o retorno já na cara do gol, os Cardinals tiveram 4 chances de anotar o TD. Nada feito.

Melhor para os visitantes, que responderam com touchdown de Carlos Hyde em um drive que mostrou as múltiplas facetas ofensivas de um ataque com uma mentalidade completamente diferente daquela que se viu até 2019. Neste ano maluco, mais louco ainda é pensar que finalmente Russell Wilson é tratado pela sua equipe como o top quarterback que é, tendo todas as ações voltadas para ele, sem conservadorismos defensivos em excesso. 20-7.

Sob pressão para pontuar ainda antes do “halftime", Murray continuou a investir no monólogo de Hopkins. A linha ofensiva dos Cardinals mostrava até aqui uma relativa porosidade, sofrendo pressão de um dos pass rushs mais inofensivos da Liga. Mas, após uma big play e um belíssimo passe para Christian Kirk na endzone, os Cardinals mantiveram o equilíbrio, trazendo o placar para 20-14.

Na sequência, faltando 1:14, Wilson foi Wilson. E quando faltavam 0:43, o placar já estava 27-14. Talento de sobra, mais um touchdown que impressiona qualquer fã de esporte, e a certeza de que se trata de um atleta atuando em um nível diferenciado.

Murray ainda conduziu os Cardinals ao field goal, utilizando por duas vezes Larry Fitzgerald, que bateu o recorde de recepções por um jogador em um único estádio. Anteriormente era de Jerry Rice, no Candlestick Park, em San Francisco.

Intervalo: Seahawks 27-17 Cardinals


No retorno, destaque para as defesas com jogadas pontuais no início terceiro quarto. Budda Baker é um jogador daqueles raros, e o conjunto da defesa dos Cardinals é acima da média. O front seven é fortíssimo, e as blitz defensivas são precisas e eficientes. Não é a toa que a NFC West é a divisão mais forte da NFL.

Kyler Murray mostrou porque é um dos melhores quarterbacks da atualidade abrindo a caixa de ferramentas ainda no terceiro quarto. Leituras excelentes contra a defesa dos Seahawks, e a utilização das pernas para ganhos de jardas fundamentais. Inclusive na parte final do campo, anotando touchdown corrido com direito a um baile em K.J. Wright. 27-24.

Já no último quarto, Russel Wilson abusou da confiança mais uma vez na finalização de uma campanha. A secundária de Arizona agradece, com mais uma interceptação tranquila, dessa vez por Patrick Peterson, em mais um passe "esquisito", que aparentou falha de comunicação ou erro de rota. No snap seguinte, Kyler Murray devolveu o presente, lançando de bandeja nas mãos de Quandre Diggs.

Wilson e seu ataque buscaram dominar o cronômetro durante a campanha, e num excelente mix de corridas com passes mais curtos, chegou à endzone ao arriscar uma 4&2 na linha de 3 jardas. Tyler Lockett fez mais uma recepção absurda, em outro passe fantástico de Wilson no fundo da endzone, deixando o placar em 34-24, com 6:44 no relógio para o término. A partida de Lockett foi histórica, com 12 recepções totais (carreer high), sendo 3 delas para TD e 175 jardas. Já Wilson igualou o recorde histórico de Peyton Manning em 2013, chegando a 22 passes para touchdown nos 6 primeiros jogos.

Arizona não exitou na resposta, e em um drive confuso cheio de faltas, um field goal que voltou, e uma lesão importante de Kenyan Drake, o jogo ficou por 3 pontos novamente. 34-31. Touchdown Cardinals no passe para Christian Kirk, e pouco mais de 2 minutos no cronômetro a serem jogados.

Os Seahawks não avançaram o suficiente para garantir a vitória, e Murray teve 0:52 segundos para posicionar o kicker Zane Gonzalez para empatar a partida. 34-34, e a prorrogação em mais um grande jogo entre Seattle e Arizona, com méritos para os dois times, que são candidatos a Super Bowl, sem dúvidas.

No tempo extra, Seattle teve a primeira posse, e o que não havia acontecido na partida até então aconteceu: 2 sacks mataram a campanha, e os Seahawks devolveram a posse de bola.

Valendo-se de uma defesa cansada, de snaps rápidos, e do melhor momento na partida, os Cardinals posicionaram Gonzalez para o chute que venceria o jogo. 41 jardas, e nada feito. Duelo emocionante!

Wilson teve sua chance, levou o time até o meio do campo, mas foi interceptado. Vida nova para os Cardinals, que mais uma vez posicionaram Gonzalez para o chute. Desta vez, fatal.
 

 

Final: Seattle Seahawks 34-37 Arizona Cardinals