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Dream Team, 1.000 vezes obrigado!

14 de fevereiro de 2020
0h 25

(por Rafael Lima)

Era uma vez um garoto de 10 anos de idade, que já gostava de Formula 1 e começava a criar um fanatismo por futebol, devido a influência do pai e do avô.
O ano era 1992, e o menino estava empolgado para acompanhar sua primeira Olimpíada, na TV as propagandas “vendiam” bem o evento e a oportunidade de assistir outros esportes gerava uma imensa expectativa.
Sem internet ou TV a cabo, o acesso ao esporte era restrito à F1 e aos jogos de futebol de domingo, além do Globo Esporte e o Show do Esporte da TV Bandeirantes, emissora que também transmitia outras modalidades sem o mesmo apelo. Mas, o que estava por vir, mudaria a vida do personagem desta história.
O Brasil estava longe de ser uma potência esportiva, mas as três medalhas naqueles jogos olímpicos foram muito marcantes. A Seleção de Volêi Masculino abriu caminho para a hegemonia brasileira no esporte, com o timaço composto por Marcelo Negrão, Tandy, Maurício, Carlão e companhia, que se tornaram celebridades no país. Além deles, Rogério Sampaio colocou seu nome na história com outro ouro, comprovando a tradição do Brasil no judô, que já havia conquistado a mesma medalha em 1988 com Aurélio Miguel.
A terceira conquista brasileira foi a prata de Gustavo Borges, que começou a se tornar uma lenda olímpica nacional, mesmo perdendo para o russo, Alexander Popov.
Toda essa trajetória brasileira foi marcante, mas o que realmente teve o poder de mudar a vida do garoto foi uma conquista americana, que era carta marcada antes do início dos Jogos Olímpicos, talvez a medalha mais certa entre todos os esportes, o ouro da Seleção Americana de Basquete, pois pela primeira vez foi permitida a presença de jogadores da NBA na equipe, formando o famoso Dream Team.
O time era composto pelos grandes nomes da liga, Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Patrick Ewing, Charles Barkley, Scottie Pippen, Karl Malone, David Robinson, Clyde Drexler, Chris Mullin, John Stockton e o universitário Christian Laettner. O espetáculo proporcionado por esses atletas a cada partida não saiu nunca mais da vida daquele menino de 10 anos. A plástica, as enterradas, os passes absurdos, o estilo, a forma como tornava fácil as partidas contra qualquer que fosse o adversário despertaram um fascínio absurdo naquele menino.
 

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O futebol ainda tinha lugar cativo nos interesses, mas o basquete apareceu como uma nova paixão. A partir daí foi bola laranja, bonés de Celtics, Lakers e Bulls, NBA Live no videogame, tabela de basquete no quintal da casa dos avós e o interesse naquele novo esporte não foi momentâneo, era algo para sempre.
A TV Bandeirantes transmitia jogos da NBA nos anos 90, sob o comando de Luciano do Valle, Edvar Simões, Álvaro José e cia, e as finais dos Bulls de Jordan contra Suns, Jazz ou Sonics seguem vivas e se eternizaram na memória do moleque, que foi crescendo, assistindo mais pela ESPN na TV a cabo, e acompanhando as diversas mudanças de protagonismo, como a dos Rockets de Hakeem Olajuwon, Spurs de Gregg Popovich e as torres gêmeas, Lakers de Kobe e Shaq e por aí vai, mas o time escolhido pelo garoto era o tradicional Boston Celtics, que ele nunca tinha visto ser campeão. Até que o Big Three, formado por Kevin Garnett, Ray Allen e Paul Pierce deu o tão sonhado título ao fã celta. O ciclo de fanático pela NBA estava completo. Daí pra frente, acompanhar a temporada inteira fazia ainda mais parte da rotina.
Como um aficcionado por esportes (que já curtia a NHL também), em 2007 surgiu o interesse em algo novo e difícil de entender, o futebol americano. A NFL também era dividida em conferências e a geografia estadunidense era familiar por causa da NBA. Os Patriots de Brady e Moss ajudaram, o Madden também e o adulto, foi fisgado por mais um hobby.
Acompanhar ligas esportivas sempre foi uma grande paixão e, em 2017, aquele garoto que se apaixonou pelo Dream Team, resolveu expressar para todos o seu amor por esportes que não tem a divulgação merecida no Brasil e falar de fã para fã, conhecer outros aficcionados Brasil a fora e formar novos adeptos, e assim nasceu a Playmaker Brasil, um desejo antigo deste que vos escreve.
O projeto foi angariando pessoas que foram curtindo os textos e muita gente boa, com interesses em comum, quis fazer parte da página por puro amor. Hoje somos em 28 pessoas e nos tornamos um veículo de informação com site, Instagram, Facebook, Podcast e em breve retornaremos ao Youtube. Tudo feito com muita vontade para apaixonados como nós.
Quem chegou até aqui pode estar se perguntando: Por que um artigo tão pessoal? O motivo é o fato desse texto ser o meu milésimo pela página e ele só ter sido possível porque aquela criança assistiu ao Dream Team nas Olimpíadas de Barcelona.
Por isso, repito o título, 1.000 vezes, obrigado Dream Team! Obrigado por realizar meu sonho de conhecer Oscar Schmidt (na casa dele), Paula e quase todos os brasileiros que passaram pela NBA nos últimos anos. Obrigado por me fazer participar de conferências internacionais e realizar uma entrevista exclusiva com o agora All-Star Rudy Gobert. Obrigado por me colocar na bancada de um programa na ESPN. Obrigado por me proporcionar bater papos com comentaristas que sabem demais como Ricardo Bulgarelli, Paulo Antunes, Rômulo Mendonça, Eduardo Agra, Guilherme Giovannoni e Renatinho. Obrigado por fortalecer ainda mais minha amizade com o Felipe e me fazer conhecer ou me aproximar mais de pessoas sensacionais como Tostes, Ed, Jeff, Nilton, Gabriel, Léo (que me fez gostar um pouco da MLB), Cassiano, Matheus, Marcos André, Ricardo, Diogo, Natassjia, João, Layo, Vinicius, Thiago, Fugazza, Raquel, Vanessa, Henrique, Bruno, Matt, Rodrigo, Eduardo, Maju e Felipe. E, por último, obrigado por me apresentar um universo tão fascinante, que fez, faz e sempre fará parte da minha vida.