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Super Bowl: 3 Confrontos que podem decidir o vencedor entre Chiefs e 49ers

2 de fevereiro de 2020
16h 34

(por Bruno Fugazza)

 

Em praticamente todos os principais esportes dos Estados Unidos, o campeão é decidido em uma série de até 7 jogos. Por isso, nas finais da NBA, World Series ou Stanley Cup a tolerância a erros e a possibilidade de correções é infinitamente maior do que na NFL. Já no Super Bowl, um erro, um lance, um árbitro (desculpem, torço para os Saints, é mais forte que eu...) ou uma jogada genial podem definir o resultado de toda uma temporada para as equipes envolvidas.

Por isso, quando o Kansas City Chiefs enfrentar o San Francisco 49ers no Super Bowl, em Miami, às 20h30 (horário de Brasília) deste domingo, cada detalhe importará. Com isso em mente, listei abaixo 3 confrontos que podem ser chaves para decidir quem levará o troféu Vince Lombardi para casa.

Confere aí!

1 – Mobilidade de Patrick Mahomes x Pass Rush e cobertura em zona dos 49ers

 

 

Falar que Patrick Mahomes é a principal chave para a vitória dos Chiefs é mais do que óbvio. O Quarterback mostrou estar 100% recuperado da lesão no joelho que sofreu nesta temporada e vem fazendo história nos playoffs liderando a equipe de Kansas City, inclusive em uma virada espetacular contra os Texans. Mas a ideia aqui é falar sobre porque Mahomes é ainda mais perigoso para os 49ers.

Se a defesa de San Francisco tem um ponto fraco, é jogar contra quarterbacks móveis. Foi assim com Russell Wilson, Kyler Murray e Lamar Jackson. E não por eles correrem para conseguir jardas, mas sim para escapar do Pass Rush, ganhar mais alguns segundos e conectar passes em profundidade. E atualmente, não há ninguém melhor do que Mahomes fazendo passes em movimento.

A defesa dos 49ers costuma jogar com sua secundária marcando em zona (ou seja, cada defensor é responsável por um pedaço do campo, e não por um jogador adversário), confiando que o Pass Rush chegará rapidamente no QB adversário. Mas, se por algum motivo ele não chega, eventualmente os recebedores encontrarão os espaços entre as zonas e ficarão livres.

E é aí que entra a mobilidade de Mahomes. Ele quase sempre consegue escapar da pressão, e mantendo os olhos no campo, encontrar um de seus recebedores livre. Mahomes muitas vezes até deixa de correr para a Primeira Descida tendo oportunidade para arriscar um passe, o que costuma funcionar.

Quando da derrota dos Chiefs para os Colts no começo da temporada, muitos acharam que o segredo para parar Kansas City estava claro: usar marcação homem a homem nos recebedores, e pressionar o QB com 4 ou menos jogadores, usando o resto para fechar os passes pelo meio. Mas essa análise simplista não leva em conta um fator essencial. Naquele jogo, os Chiefs não contaram com seus 2 WRs titulares, Tyreek Hill e Sammy Watkins, além do LT titular.

Se você fosse o Coordenador Defensivo dos 49ers, arriscaria deixar por exemplo Richard Sherman contra o veloz Tyreek Hill, depois do desempenho dele contra Davante Adams na final da NFC? Pois é.

 

2 – DT Chris Jones (Chiefs) x C Ben Garland e LG Laken Tomlinson (49ers)

Na final da NFC a linha ofensiva dos 49ers foi dominante, abrindo espaços na defesa dos Packers para que Raheem Mosterd corresse 220 jardas e 4 Touchdowns. Mas eu não acredito que eles repetirão esse sucesso no Super Bowl, principalmente graças à presença do DT Chris Jones.

Jones é possivelmente o segundo melhor Pass Rusher pelo interior da linha na NFL, atrás de Aaron Donald. Mas ele é igualmente excelente contra o jogo corrido, que é a espinha dorsal do ataque de San Francisco.

Nos dois jogos após a lesão do Center titular dos 49ers, a equipe enfrentou dois DTs ótimos atacando o “A-Gap” (espaço entre o Center e os Guards): Grady Jerret (Falcons) e Aaron Donald (Rams). O resultado foi uma derrota e uma vitória muito apertada.

De lá pra cá, o novo Center Ben Garland evoluiu, mas ainda é a parte mais frágil dessa linha ofensiva. Ao seu lado, o Guard Laken Tomlison também será essencial tentando conter Jones e manter o jogo corrido fluindo.

Ainda assim, há motivos para crer que Jones deve fazer a diferença na partida. O DT foi levemente poupado na final da AFC contra os Titans, pois se recuperava de uma lesão na panturrilha, então teve um número limitado de snaps. Ainda assim, com ele em campo, o QB Ryan Tannehill foi pressionado em 40% das jogadas de passe, contra apenas 6% sem a presença de Jones.

 

3 – O Safety Tyrann Mathieu x Motions e Counters dos 49ers

 

 

Chegamos ao último jogo da temporada, e parece que nenhum time conseguiu resolver o mistério das geniais jogadas desenhadas por Kyle Shanahan para o ataque dos 49ers, jogadas essas que em sua maioria se baseiam em conceitos de “motion” (movimentação de jogadores do ataque antes do snap) e mudanças de direção.

O Motion é muito utilizado por Shanahan para forçar os Linebackers adversários a se mexerem e acompanharem o jogador em movimento (geralmente RBs ou TEs), o que acaba abrindo espaço para passes pelo meio do campo (Garoppolo completou 73% de seus passes entre os números, ou seja, pelo meio, o maior percentual da NFL).

Já os Counters são a base do bem-sucedido jogo corrido dos 49ers. Usando também de motions, é bastante comum que a jogada comece a se desenhar por exemplo como uma corrida por fora para a direita, e na verdade seja uma corrida para a esquerda ou por dentro. A movimentação da Linha Ofensiva tende a enganar a defesa, deixando muitas vezes os excelentes bloqueadores TE George Kittle e FB Kyle Juszsyck com espaço para bloquear linebackers e defensive backs.

Do lado dos Chiefs, caberá ao Safety Tyrann Mathieu a dura missão de identificar essas jogadas antes que seja tarde demais e os RBs já tenham feito o estrago. Mathieu é o cérebro da defesa dos Chiefs, e costuma jogar bastante próximo à linha de scrimmage e ser o principal tackleador do time. Apesar de pequeno para um Safety, Mathieu dificilmente perde um tackle e muitas vezes caberá a ele parar quem estiver com a bola.

Na semana passada a unidade defensiva de Kansas fez um excelente trabalho parando Derrick Henry antes que ele conseguisse embalar na jogada. O objetivo foi atingido, todavia, com um preço: em todo o jogo, os Chiefs colocaram oito ou mais jogadores dentro do Box e atacaram o backfield dos Titans, basicamente desafiando a equipe de Tennessee a vencer pelo ar.

No entanto, o desafio no Super Bowl será maior por dois motivos. Primeiro que o jogo corrido dos Titans é mais simples e previsível, confiando na força de Henry. Já os 49ers colocam muito mais variáveis na mesa: mais running backs, mais formações, e melhores bloqueadores como Kittle e Juszsyck.

E segundo que oi jogo aéreo dos 49ers é melhor que o dos Titans. Caso Garoppolo seja forçado a passar, eu não ficaria surpreso de ver o time explorar Play Actions e passes em profundidade, já que os Chiefs costumam usar um Safety isolado no topo (o outro Safety Mathieu está no box, lembra?). Além disso, o Free Safety titular da equipe Juan Thornhill teve uma lesão na semana 17 e está fora da temporada, forçando Spagnuolo a revezar diversos DBs na área.