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Jogadas inesquecíveis do Super Bowl – James Harrison e a interceptação imaculada

31 de janeiro de 2020
23h 57

(por Jefferson Castanheira)

 

Para muitos – e para mim também – o Super Bowl XLIII foi o melhor de todos os tempos. O duelo histórico entre Pittsburgh Steelers e Arizona Cardinals, que findava a temporada 2008-09 da NFL, teve inúmeras reviravoltas e surpresas, mas tudo isso era plenamente esperado devido a qualidade dos elencos que chegaram até ali. Bom, este que vos escreve começou a acompanhar a NFL no Super Bowl XXXIX e, desde então, eu nunca vi um time tão defensivamente forte quanto este Pittsburgh Steelers campeão deste duelo. Casey Hampton, Lamarr Woodley, James Farrior, James Harrison, Bryant McFadden, Troy Polamalu, Aaron Smith e cia eram uma máquina de demolir ataques, sejam em corridas, em passes em média distância e na profundidade. Os Steelers tiveram cinco defensores no Hall da Fama que jogaram no Super Bowl, mas nenhum deles teve um momento mais impactante na partida do que James Harrison.

O cenário do momento de Harrison marcava uma reação sensacional que os Cardinals tentavam impor para terminar o segundo período na frente do placar. 10 a 7 para Pittsburgh, posse de Arizona com seu genial QB Kurt Warner e suas armas para receber as bolas como o lendário e interminável Larry Fitzgerald. 18 segundos para o intervalo, bola na linha de 3 jardas para a endzone, 1st and Goal. O pior cenário imaginável talvez para os Cardinals era se contentar com um Field Goal e empatar a partida. Ninguém imaginava que o jogo iria tomar uma outra direção. O trabalho de James Harrison sempre foi focado em demolir o quarterback. Na temporada, Harrison teve 16 sacks e nenhuma interceptação até aquele momento.

No Super Bowl acontecem coisas mágicas e inesperadas. Warner escolheu não fazer o “play it safe” e decidiu lançar a bola para Larry Fitzgerald receber em uma rota “Mini-slant” (quando o WR corre inicialmente reto e depois toma a direção de dentro do campo). Harrison estava indo pra cima de Kurt Warner, quando estranhamente hesita e...PICK’D OFF!

James Harrison intercepta o passe para Fitzgerald, corre para a sideline para se proteger e tentar o máximo avanço possível. Harrison corre como um caminhão de quatro eixos carregados de chumbo, enquanto todos os seus defensores companheiros fazem praticamente uma redoma pontiaguda em volta do jogador que dispara para a história. Deshea Townsend, CB naquela jogada pelos Steelers, faz o primeiro block na linha de 25 jardas de seu território, abrindo mais caminho para Harrison. Ike Taylor, involuntariamente, segura uma tentativa de parar Harrison por trás e se choca com Townsend indo ambos para a sideline. Harrison segue agora na linha de quase 40 jardas enquanto o DE Brett Keisel bloqueia novamente para que Harrison siga seu caminho. Como um comboio que guia um carro forte, toda a defesa dos Steelers auxilia o lendário LB para a endzone. Nas últimas 5 jardas, Larry Fitzgerald chega junto com Steve Breaston após Harrison deixar todo mundo pra trás. A dupla de WRs do Cardinals alcança e pega Harrison, que bate seu capacete no gramado no mesmo instante que o relógio marca o fim do segundo quarto. James rola dentro da endzone e provavelmente compreendeu alí o que havia feito. Uma Pick-6 de 100 jardas, de endzone para endzone.

 

https://www.youtube.com/watch?v=RqnQwKAI4OE

 

A jogada, para muitos, garantiu a vitória para o Steelers, já que mudou completamente o cenário e o momento do jogo. Se ele tivesse sido derrubado, seria apenas uma INT qualquer. Mas a corrida de raça, garra, de acreditar que dá pra chegar lá sendo ajudado pelos companheiros de defesa foi mais forte. James Harrison fez história com a jogada mais longa da história do Super Bowl. 1.83m e 110kg que tiveram o peso e a agressividade de um Godzilla, como foi apelidado pelos jornalistas americanos após o lance. Harrison ficou três minutos no chão tomando oxigênio após o feito, que pode ser considerado a maior interceptação de todos os tempos.