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Jogadas Inesquecíveis do Super Bowl – A recepção milagrosa de Julian Edelman

31 de janeiro de 2020
12h 57

(por Eduardo Schachnik)

 

“The catch”, “The Immaculate Reception”, “Helmet Catch”, muitas recepções foram eternizadas na história dos playoffs da NFL, contudo há um uma jogada de igual extravagância e importância que raramente é lembrada, possivelmente a recepção mais subestimada da história do Super Bowl. Estou falando do milagre no Super Bowl LI. Talvez a jogada não seja tão lembrada pela falta de um apelido estiloso, mas talvez o próprio desenrolar absurdo do lance o torne impossível de apelidar.

Em 2017, o Atlanta Falcons sonhava com seu primeiro título ao chegar ao Super Bowl pela segunda vez na história da franquia, enquanto o New England Patriots já contava com 4 conquistas. Isto não fez com que os campeões da NFC se intimidassem e, com uma performance arrasadora, os Dirty Birds engoliram os oponentes na primeira metade da partida. No meio do 3º período o placar apontava 28x03 para os Falcons. 28X03, números que ficariam congelados no tempo, eternizados na história da liga.

Os Patriots se recuperaram e, no melhor estilo “do your job”, avançaram em campo e pararam o ataque adversário até deixar o placar sob alcance com 6 minutos por jogar: 28x20. Todavia, os Falcons haviam chegado longe demais para se entregar sem luta. Na campanha seguinte, Julio Jones fez uma recepção espetacular na ponta dos pés rente à lateral. Essa poderia muito bem ser a jogada sobre a qual o texto se debruça. Foi uma obra de arte, um passe perfeito de Matt Ryan na altura limite para que encobrisse o defensor e ficasse ao alcance de Jones. Julio mostrou atleticidade para chegar no terceiro andar, mãos firmes para agarrar a bola e total consciência corporal para colocar os dois pés no campo. Seria a jogada da partida, se o jogo acabasse ali.

Uma sequência de falta de ataque, péssimas chamadas e sack tiraram os Falcons do alcance de field goal e a bola foi devolvida aos Patriots. Momentos depois, Brady tinha a bola em uma primeira descida na linha de 36 jardas de seu próprio território com 2 minutos e meio para o fim. O quarterback arriscou um passe no meio do campo para seu recebedor favorito e então o tempo pareceu parar por alguns segundos.

Robert Alford, defensor dos Falcons, se antecipou e desviou o passe no que poderia ter sido uma interceptação. Enquanto caíam jogador e bola, Julian Edelman e outros dois defensores mergulharam em busca daquele objeto de desejo. A bola acertou o joelho de Alford e se manteve suspensa a centímetros da grama. Edelman chegou antes de Ricardo Allen e tentou envolvê-la em suas mãos, mas não obteve sucesso. Haviam muitas forças influindo na jogada, muito contato entre quatro jogadores que se lançavam ao solo e disputavam a bola. A bola ficou mais uma vez suspensa, por milésimos de segundos, a menos de uma polegada do chão e da incompletude do passe, até que naquele emaranhado de pernas, capacetes e braços, por mais que todos mantivessem os olhos na bola, apenas um tinha as mãos ao seu alcance. Julian Edelman, em uma das reações mais rápidas e precisas da história do esporte, pescou a bola como quem estende a mão a alguém que cai de um precipício. Agarrou-a e trouxe-a de encontro ao peito e garantiu que ela não sairia de sua posse mesmo após encontrar o solo. O fim inevitável da jogada foi evitado. Os Patriots conquistavam a sua primeira descida para o título.

 

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Como poderiam os Patriots não se sentir invencíveis após um lance como esse? Como os Falcons poderiam não se sentir abandonados por Deus? A tensão no jogo era palpável, o time jovem dos Falcons parecia uma presa encurralada por um predador, que após horas de luta pela sobrevivência, não conseguia mais escapar. Os Patriots marcharam até a endzone e levaram o jogo para a prorrogação.

A vitória no cara ou coroa foi outra prova de que a fortuna acompanhava os tetracampeões. Uma posse bastou, uma execução perfeita capitalizada por James White e os Patriots eram novamente campeões da NFL após completarem a maior virada da história das finais.

Todo jogo tem esse momento chave, a hora em que as coisas parecem se definir. Aquele lance que fica guardado eternamente na memória de quem vê, com a mesma força na memória daquele que comemorou e do que sofreu. No Superbowl LI, esse foi o lance.