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32 Anos Sem Um dos Mais Criativos Jogadores de Basquete

7 de janeiro de 2020

(por Vinicius Freitas)
 
Filho do ex-jogador Press Maravich, que atuou na primeira temporada da BAA, em 46/47, o ala-armador de 1.96m apelidado de ‘Pistol’, foi um dos mais habilidosos jogadores na história do esporte, sendo considerado o criador de alguns dribles e movimentos inovadores para conseguir ter vantagem contra as defesas adversárias, passes milimétricos, assistências feitas sem olhar para seu companheiro de time que recebia a bola, além de ser um exímio arremessador. Não foi atoa que recebeu o apelido de ‘Pistol’ (traduzido: Pistola), pois seus “shoots” eram certeiros e mortais.
Detentor de marcas astronômicas em seu período de College, como maior pontuador da história da NCAA com 44.2pts de média em 83 jogos, com o detalhe de não existir ainda a marcação para arremessos de 3 pontos na época. E, assim como Jerry West, Maravich também costumava pontuar com arremessos de muito longe, portanto, se a pontuação fosse como hoje em dia, seus recordes seriam ainda mais impressionantes.
Atuou pela LSU (Louisiana State) de 1967/1968 até 1969/1970 e, já no College, o jovem jogador dava indícios de que não seria apenas mais um a integrar a NBA quando foi draftado na terceira posição pelo Atlanta Hawks, em 1970, atrás apenas de Bob Lanier e Rudy Tomjanovich, na frente de jogadores como Dave Cowens e Tiny Archibald.
 

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Logo no seu primeiro ano, já foi o segundo melhor pontuador da equipe e um dos principais nomes da franquia junto com Lou Hudson e Walt Bellamy. Atuou pelo time do estado da Georgia até a temporada 73/74, onde deixou a equipe com médias de 24.3 pontos, 4.2 rebotes, 5.6 assistências e 1.5 roubos de bola na temporada regular e com 25.5 pontos, 5.1 rebotes e 5.4 assistências de média nos playoffs. Apesar dos bons números individuais, os Hawks foram eliminados três vezes consecutivas nas semifinais, sem perspectiva de vôos mais altos e, devido a isso, o jogador acabou deixando a equipe que o draftou para encarar o maior desafio de sua carreira. Maravich acertou com a mais nova equipe da liga, o New Orleans Jazz, que faria sua estreia na temporada 74/75 e procurava um nome importante da liga para ter como líder. Coincidentemente, a cidade fica localizada no estado de Louisiana, onde o jogador havia atuado no seu período de ascensão no College e passado boa parte de sua adolescência.
Pete ‘Pistol’, como ficou conhecido na sua passagem pelo Jazz, foi um dos grandes nomes da liga e correspondeu a toda expectativa que a equipe havia criado em torno dele, sendo um dos responsáveis pela chegada de outros grandes nomes da liga como Spencer Haywood, Gail Goodrich e Adrian Dantley, além de Truck Robinson, que também foi um nome importante no crescimento da equipe na liga.
Apesar de ser um dos jogadores mais revolucionários e habilidosos de sua época, e tendo realizado feitos importantíssimos atuando pelo seu novo time, como ser o maior pontuador da liga na temporada 76/77 com 31pontos de média, e na mesma temporada ter anotado 68 pontos em um jogo contra o New York Knicks, onde entrava em um grupo seleto junto com Elgin Baylor e Wilt Chamberlain, sendo apenas o terceiro jogador na história da liga a alcançar uma pontuação tão alta, o jogador não conseguiu classificar nenhuma vez o New Orleans Jazz para disputar os playoffs.
Na temporada de 77/78 o jogador começou a ter problemas nos joelhos e ficou de fora de boa parte dos jogos nas temporadas seguintes, dificultando bastante a rotina de treinos e comprometendo muito sua capacidade física durante os jogos. Na temporada 79/80, com medias de 25.2 pontos, 4.3 rebotes, 5.6 assistências e 1.4 roubos de bola, deixou a franquia do Jazz, que se encontrava com problemas financeiros e foi vendida, se mudando para Utah.
 

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Maravich foi para o Boston Celtics, onde era uma peça importante vindo do banco, sendo um dos grandes arremessadores da equipe, com médias de 11pts em 17min jogados. Chegou até as finais da Conferência Leste com os Celtics, onde foram superados pelo Philadelphia 76ers de Julius Erving, e anunciou sua aposentadoria depois disso. Curiosamente foi apenas em sua última temporada na liga que os arremessos de 3 pontos foram implementados, e o jogador, apesar de ter feito poucos arremessos, teve uma média de 0.666%(!), acertando 10 dos 15 arremessos tentados e mostrando o quão preciso eram os tiros de ‘Pistol’ Maravich.
Apesar de ter se aposentado, o basquete continuava em sua vida, e frequentemente o ex-jogador praticava com amigos em seus momentos de lazer. Porém, no dia 05 de janeiro de 1988, Pete ‘Pistol’ Maravich faleceu no lugar que o consagrou: em uma quadra de basquete. Em um jogo 3x3 numa igreja na cidade de Pasadena, na California, o ex-atleta teve um infarto fulminante durante a partida e o mundo do basquete perdeu precocemente um de seus maiores nomes, talvez por conta do problema cardíaco crônico que Maravich tinha, pois não possuía a artéria coronária esquerda.
Pete Maravich teve seu nome incluído ao Hall da Fama da NBA no ano de 1996, além de ter sido 5x All-Star (72/73, 73/74, 76/77, 77/78 e 78/79), 2x First Team da NBA (72/73 e 76/77) e 2x Second Team (75/76 e 77/78). Também teve sua camisa #7 aposentada pelo Utah Jazz e New Orleans Hornets, além de possuir uma das 20 melhores médias de pontos da história da liga, com 24.2 pontos, 4.2 rebotes, 5.6 assistências e 1.4 roubos de bola por partida em 658 jogos. Além do jogo onde anotou 68 pontos, Pistol ainda teve 5 jogos na carreira com 50 pontos e 29 jogos onde fez pelo menos 40 pontos.
Apesar de não ter sido campeão, nem MVP e infelizmente jogando apenas 26 jogos de playoffs, Pete ‘Pistol’ Maravich deixou um legado importantíssimo não só para a liga, mas para o esporte, pois foi o primeiro jogador a fazer passes com o cotovelo, dribles passando a bola entre as pernas, por trás das costas, usar a movimentação do corpo para driblar seus adversários, utilização de giros nas jogadas de infiltração e alguns movimentos de perna característicos para ludibriar a defesa. Também utilizava o ‘fake shot’ (traduzido: falso arremesso), onde ao ameaçar o movimento de arremesso o atleta fazia o passe para seus companheiros dentro do garrafão, além de um controle de bola extraordinário e ser o primeiro “Showman” da liga, mesmo antes de surgir o time denominado “Showtime”.
Jogadores como Kobe Bryant e Steve Nash, tiveram grande inspiração no estilo de jogo de Pistol e muitos adversários do jogador na época, como ninguém menos que John Havlicek, afirmavam que Maravich era o jogador mais habilidoso e criativo que havia atuado na liga.