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O quanto a idade é fator determinante no desempenho de um atleta de alto rendimento das maiores ligas americanas

18 de dezembro de 2019

(por Vanessa Monte Bello)

 

Atualmente, muito tem se falado e estudado sobre um fator relevante quando o assunto é o desempenho de atletas de alto rendimento (principalmente em esportes que demandam absurdamente reflexos, velocidade de ação e pensamento para o desenvolvimento de jogadas, velocidade e força física, como nas grandes ligas americanas) - a idade!

Sabe-se que conhecer fatores que influenciam no desempenho dos atletas pode contribuir para a melhoria e aperfeiçoamento dos processos de treinamento dos mesmos e sim, um dos pontos mais estudados atualmente é o Efeito da Idade Relativa, que nada mais é do que o resultado da diferença de idade cronológica entre pessoas envolvidas na mesma faixa etária na prática de um determinado esporte.

Muitas dúvidas podem surgir nesse momento, mas resumidamente o que quero dizer aqui é que, de acordo com várias pesquisas, o EIR tem um impacto direto nos processos de identificação de talentos, uma vez que, para se ter uma seleção de atletas leva-se muito em conta o tamanho corporal e desempenho físico, de uma forma que os técnicos escolhem quase que sempre os atletas mais altos, mais fortes e mais ágeis, ou seja, com uma maior maturação biológica física e cognitiva.

A presença do EIR já foi comprovada em esportes de várias modalidades como tênis, hóquei no gelo, futebol americano, basquete e beisebol, em âmbito internacional, os mais estudados são o futebol e o hóquei.

Nos estudos científicos não foi observada uma relação consistente entre os efeitos da idade e o desempenho/sucesso esportivo, acredito que já podemos começar a entender por aí os fenômenos Tom Brady e LeBron James que, mesmo com a idade mais avançada do que essa leva talentosa de suas respectivas ligas, estão dando um certo show de vitalidade, principalmente quando colocamos em questão o nosso queridinho "papai LeBron".

Sim, nosso grande astro da camisa 23 está muito perto de completar seus 35 anos, mas ao que tudo indica está longe de aposentar seus sneakers, muito pelo contrário, se não houver uma lesão ou queda brusca de rendimento seus números serão ainda melhores nessa temporada da NBA. Inclusive, em uma declaração sua para a ESPN Americana, quando questionado sobre sua longevidade, o ala aproveitou para elogiar Tom Brady - "Eu e Tom estamos na mesma, vamos jogar até não conseguir andar mais". E nós apenas agradecemos por isso papai!!! 

Já Tom Brady, considerado um exemplo de atleta e um dos melhores em sua posição numa liga tão exigente como a NFL, quer jogar até pelo menos os seus 45 anos de idade. Brady é um cara que vivencia um estilo de vida invejável entre os atletas, totalmente inserido em seu método de treinamento - TB12 - citado em seu livro, o qual tem como ponto chave um conceito de "maleabilidade muscular", palavra que não tinha tradução para o português, mas que significa: quanto mais maleável seu corpo e seus músculos forem, menor os riscos de lesões. Dessa forma, Brady segue fazendo sua preparação física durante a temporada e também quando está de férias, sendo um exemplo que LeBron diz querer seguir.

Apesar de Brady estar apresentando níveis abaixo nessa temporada pelos Patriots, um pouco mais lento nas jogadas, sendo muito sacado, ele continua sendo o ponto chave, a esperança e o queridinho de Belichick e da torcida dos Pats.

Falando em números do "King James", ele tem apenas em temporada regular, 46.615 minutos jogados, o 13º na história da NBA, mas quando falamos de Playoffs, ele é o líder nesse quesito, com 239 jogos e 10.049 minutos em quadra, o que equivale a três temporadas completas - e aí, o cara é uma máquina de jogar ou não, meu querido fã da bola laranja?

 

 

Aliás uma curiosidade, LeBron James já se pronunciou em entrevistas anteriores que pretende jogar até 2023 ou até que seu filho Bronny tenha chances de jogar na NBA para que ambos compartilhem da mesma quadra.

 

Mas, quando é a hora de parar?

Os atletas de elite têm consciência de que o corpo é o seu instrumento de trabalho e que ele não durará para sempre e, por mais difícil que seja admitir essa situação, uma hora a aposentadoria chega.

Essa hora é tão complicada para pessoas que vivem do seu corpo em movimento, assim como os atletas de alto rendimento, que existem milhares de casos de atletas aposentados com depressão seríssima, afinal, a parte mais complicada disso tudo é que muitos deles não conseguem saber precisamente quando seu organismo deixa de responder aos treinamentos intensos para mantê-los no topo. E quais seriam os sinais de quando um jogador precisa parar?

Alguns atletas consideram que esse momento é aquele onde não são mais capazes de melhorar suas marcas ou se distanciam delas por falta de motivação em competir ou quando as dores das lesões e dos treinos deixam de valer a pena - são muitas as razões. Outros tomam a idade como referência para a aposentadoria, porém, nem sempre ela é compatível com a idade biológica.

Muitos problemas são encontrados pelos atletas conforme seu corpo vai envelhecendo. Quando falamos de ponto de vista fisiológico, cronologicamente entre os 20 e 35 anos é quando se atinge o ápice da performance, é quando o indivíduo precisa aproveitar o máximo o que seu corpo pode lhe proporcionar. Porém, ao atingir os 30 anos, a capacidade aeróbica de um atleta de alto nível começa a cair em cerca de 5% a cada dez anos e isso tem relação direta com a frequência cardíaca máxima que tende a diminuir em resposta ao esforço máximo e ao exercício intenso, o que impacta diretamente numa quantidade menor de sangue que o coração bombeia pra mandar pro corpo todo. Resumindo: a resistência física começa a ficar comprometida.

Outro grande problema é que os níveis hormonais após os 30 anos também baixam a uma média de 1% ao ano, principalmente a testosterona nos homens. Esse fator é extremamente relevante tendo em vista que a testosterona é o hormônio responsável pela força, potência e ganho de massa muscular. Levando em conta que quanto mais forte mais as fibras de contrações rápidas trabalham, a explosão e potência começam a ser prejudicadas. Por fim, a recuperação também é afetada pela idade, com isso, atletas mais velhos começam a ter que conviver com dores e processos inflamatórios que antes não precisavam, o processo fica lento e muitas vezes não se cura. A máquina literalmente "enferruja".

Como toda regra tem uma exceção, temos esses dois gigantes que citamos acima, que fogem completamente do que se era esperado. Mas, o que mais tem que ser levado em conta em casos específicos, como Tom Brady e LeBron James, é o estilo de vida que esses atletas se comprometeram a ter, com muita disciplina, regularidade nos treinamentos, uma boa alimentação, enfim, coisas que todos os seres humanos deveriam fazer, não apenas os que dependem do corpo para trabalhar. 

 

 

Todo mundo deve focar num estilo de vida saudável. Hoje em dia o chique é ter qualidade de vida! Está totalmente em baixa estilos sedentários, preguiçosos, que apenas estão adiantando a aposentadoria do nosso maior bem - o corpo!

É claro que esses atletas de alto rendimento têm acesso à muitas coisas que pessoas comuns precisam correr atrás. É muita influência das estratégias da preparação física, levando em conta principalmente o conceito de qualidade e não quantidade. A recuperação física também tem imensa valia, além dos fatores psicológicos e nutricionais.

Fechando esse artigo, fica apenas uma dica: se existe algo capaz de frear o estresse, inflamações, dores e etc., é o exercício físico. Sigam o exemplo desses dois gênios do esporte, afinal a fonte da juventude está longe de ser descoberta, mas nunca é tarde para começar e mudar seu estilo de vida para melhor! Bora ser FELIZ!!