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O problema com a saúde à longo prazo de Zion Williamson

11 de dezembro de 2019

(por Henrique Rodrigues)

 

Duas coisas têm que ser ditas antes desse texto, a primeira é que eu não sou médico, então o que será dito aqui foi baseado em vídeos de um médico americano que explica lesões esportivas. A segunda é que as informações ditas aqui não querem dizer que a carreira de Zion será ruim nem nada assim, só que há grande risco de lesão.

Zion encantou a todos com suas jogadas explosivas na universidade de Duke e era claro que seria a primeira escolha geral no Draft da NBA, mesmo meses antes do Draft. Com a primeira escolha e podendo pegar qualquer jogador, os Pelicans fizeram o óbvio e escolheram Zion. O problema é que, após um quarto da temporada regular, Zion ainda não entrou em quadra.

Com 1,98 de altura e 129 kg, Zion tem o peso de um pivô e o atleticismo de um armador. Ao mesmo tempo em que isso proporciona jogadas espetaculares, é um grande problema se pensarmos nos ligamentos e tendões dos joelhos e tornozelos.

O ditado “Quanto maior a altura, maior a queda” faz total sentido em um ponto de vista fisiológico. Quanto mais alto se salta, mais estresse se coloca nos joelhos na hora da queda. Por ter um peso maior que o normal, e por pular muito alto, justamente pela grande capacidade atlética, Zion é sujeito à lesões como a que sofreu.

O menisco tem entre as suas funções a absorção de choque e estabilizar a tíbia e a fêmur. Quando se tem uma ruptura do menisco, geralmente acontece quando o joelho vira enquanto está flexionado, o que coloca um estresse grande demais no joelho, já que o menisco já absorve muito mais peso quando está flexionado. 

Zion teve uma ruptura no menisco lateral (parte de fora do joelho) e tem dois “grupos” de opções de cirurgia nesse caso. Pode-se optar tanto por uma reparação, que consiste em salvar o máximo possível ou uma meniscectomia, que é tirar a parte danificada do joelho, que foi a optada nesse caso.

O problema disso é que você tira parte do menisco, o que pode causar novas lesões quando ele tiver uma queda muito grande no futuro, além do fato de Zion ser categorizado como obeso no IMC.

O IMC, ou Índice de Massa Corporal, é muito usado na medicina para tentar prever futuros problemas de saúde que podem acontecer, baseando-se no peso e na altura de tal pessoa. Nessa métrica, Zion é disparado o maior número da liga, com 32,8, 5 pontos a mais que o segundo colocado, que é o Nikola Jokic com 27,6. Para achar alguém com IMC maior que o de Zion, é necessário voltar 15 anos, com Shaquille O’Neal (33,1) e Oliver Miller (33,8).

Porém, essa métrica não fica muito certa quando se fala de pessoas muito altas ou muito baixas. Mas mesmo pegando outras métricas, Zion ainda fica disparado na frente. Isso se deve muito ao fato de Williamson ser o terceiro jogador mais pesado da liga (empatado com Jokic) e ser o menor desse grupo, já que todos os outros são pivôs puros, enquanto ele é um Ala com atleticismo de armador. 

Segundo um estudo de 2013, pessoas na categoria de obesas no IMC se recuperam menos e mais devagar de cirurgias no menisco, o que explica Zion ainda não ter retornado às quadras, mesmo passado o retorno estimado da cirurgia.

 

 

Pensando à longo prazo, tem uma relação muito grande entre sobrepeso e artrite. Foi comprovado que pessoas obesas têm até cinco vezes mais chances de desenvolver artrite no futuro. Outra coisa é que a perda 0,5 kg significa uma diminuição de até 2 kg de peso nos joelhos.

O problema é que não dá apenas para falar que Zion devia diminuir seu peso. O estilo de jogo dele e o jogador que ele é, é muito por conta de seu peso e explosão. Se ele só perder peso, ele também perderia isso, e seria praticamente obrigado a se reinventar esportivamente falando. Além disso, ele teria que perder cerca de 11 kg para sair da categoria de obeso, o que é muita coisa.

Já  foi informado que Zion não jogará jogos em dias seguidos quando voltar de lesão, o que é uma estratégia inteligente da comissão técnica dos Pelicans. 

Todos esses problemas não devem afetar tanto o resto dessa temporada ou da próxima, mas, pensando em uma carreira de 10+ anos na NBA, Williamson tem grandes chances de sofrer com lesões sérias no futuro.