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Por onde andam os jogadores campeões da NBA com os Spurs na temporada 2013-14

30 de novembro de 2019

(por Leonardo Costa)

Uma das franquias mais vitoriosas do século, o San Antonio Spurs conquistou seu último título da NBA na temporada 2013-14, dando o troco no Miami Heat, para quem havia perdido a final na temporada anterior.
Sob o comando de Greg Popovich, e com um elenco recheado de estrangeiros, a franquia texana teve a melhor campanha geral da liga, com 62 vitórias e 20 derrotas. Eliminou os Mavs em sete jogos, numa primeira rodada de playoffs recheada de rivalidade, superou os Blazers em cinco jogos na rodada seguinte e bateu por 4-2 o OKC, para então encontrar novamente o Heat na final.
Se ano ano anterior a franquia de Miami havia imposto a primeira derrota dos Spurs em finais, até então eram quatro finais e quatro títulos para os comandados de Popovich. San Antonio veio com sangue nos olhos e proporcionou ao rival um verdadeiro show dentro de quadra, aplicando maior diferença média de pontos em uma série de final da NBA.
O título também rendeu o primeiro anel de campeão da NBA a um brasileiro. Tiago Spliter foi peça importante na quinta conquista da franquia e marcou seu nome na história atuando ao lado de Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginóbili, sem falar de um jovem que começava a despontar chamado Kawhi Leonard, todos sob a batuta do histórico Popovich.
Confira abaixo por onde andam os jogadores que foram campeões da temporada 2013-14 da NBA pelo San Antonio Spurs:
Tim Duncan
1ª escolha do draft de 1997, formou ao lado de Parker e Ginóbili o Big Three mais vitorioso da história da liga e atuou todos os 19 anos de sua carreira pelos Spurs. Ídolo da franquia, já havia conquistado quatro anéis de campeão da NBA quando começou a temporada 2013-14, inclusive sendo MVP das finais por três vezes, ou seja, sua carreira era um sucesso estrondoso. Mas Duncan queria mais.
Aos 37 anos (completou 38 durante os playoffs), Duncan foi o jogador que mais vezes começou como titular na equipe campeã de 2014, e o primeiro com mais tempo de quadra nos playoffs, com quase 33 minutos por partida. Liderou a equipe em rebotes e bloqueios, tanto na temporada regular como na pós-temporada e com o título juntou-se a John Salley como os únicos jogadores a serem campeões da NBA em três décadas diferentes.
Atuou pelos Spurs até 2016, mesmo ano em que teve sua lendária camisa 21 aposentada. Recheado de recordes pessoais e coletivos, Duncan assinou em julho deste ano com o próprio San Antonio (não poderia ser diferente) para atuar como assistente-técnico de Greg Popovich. Na derrota dos Spurs para os Blazers no dia 16 de novembro, Popovich acabou sendo expulso da partida após reclamação, e coube a Duncan chamar a maioria das jogadas durante o restante da partida. Estaria Greg preparando o terreno para que seu pupilo o substitua?
Kawhi Leonard
Os Pacers tiveram nas mãos um dos melhores jogadores da atualidade, mas preferiram mandar Kawhi Leonard para os Spurs em troca de George Hill. Já sabemos quem saiu ganhando nessa história. 15ª escolha do draft de 2011, Leonard, como já dito, chegou de maneira excepcional ao San Antonio, mas logo em seu primeiro ano na liga já causou impacto e fez parte do NBA All-Rookie First Team, o que no ano seguinte já lhe rendeu uma extensão de contrato.
Na temporada 2013-14 veio seu auge com a franquia. Suas habilidades defensivas eram cada vez mais aparentes, liderando a equipe em roubos de bola e sendo importante nos dois lados da quadra. Além do título sobre o Heat, Leonard foi eleito o MVP das finais, o terceiro mais jovem a receber tal prêmio, além de ser o primeiro jogador desde Chauncey Billups em 2004, a ganhar o MVP sem nunca ter sido chamado para um All-Star Game.
De estilo discreto, Kawhi seguiu seu crescimento na liga atuando pelos Spurs, incluindo duas escolhas para o Jogo das Estrelas e dois prêmios de Melhor Jogador Defensivo. Mas sua carreira no Texas terminou na temporada 2017-18, quando perdeu boa parte do início da temporada por lesão e entrou em rota de colisão com Popovich e a franquia, o que culminou com sua saída na temporada seguinte, seu último ano de contrato, para os Raptors.
Na franquia canadense foi novamente campeão e MVP das finais da NBA, e mesmo com todo o carinho da torcida e dos esforços da equipe de Toronto, optou por testar a free-agency e acertou contrato com os Clippers, tornando-a uma das equipes mais fortes da atual temporada.
Tony Parker
Do alto de seus 1,88 m, o francês Tony Parker se agigantava em quadra e esteve presente em quatro títulos dos Spurs. Seis vezes All-Star, Parker foi selecionado na 28ª posição do draft de 2001 e logo tomou conta da armação da equipe, atuando com muita consistência e precisão.
Na temporada 2013-14, ao lado de Duncan e Ginóbili, deixaram para trás Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e Michael Cooper para tornarem-se o trio com maior número de vitórias em playoffs na história da NBA, demonstrando ainda mais a grandeza desse Big Three. Além do recorde com seus companheiros,  aos 32 anos liderou a equipe em pontos e assistências, tanto na temporada regular (16,7 pts e 5,7 ast) quanto nos playoffs (17,4 pts e 4,8).
Atuou pelos Spurs até o final da temporada 2017-18, quando saiu para jogar pelos Hornets em um contrato de dois anos para sair do banco e ser um mentor do elenco. Anunciou sua aposentadoria em julho de 2019, e em novembro teve sua camisa aposentada pelos Spurs em cerimônia realizada antes da partida contra os Grizzlies, que contou com a presença de  alguns de seus companheiros históricos, dentre eles Duncan e Ginóbili.
Danny Green
Após ser draftado pelos Cavaliers em 2009 na 46ª posição, Green teve um começo altos e baixos, alternando bons momentos na NBA com passagens pela liga de desenvolvimento. Mas em 2011, um ano após sua chegada aos Spurs, foi se afirmando na equipe e na liga, inclusive sendo o nono colocado na eleição do Most Improved Player deste ano.
Na temporada do título Green era titular da equipe, mas revezava seu tempo em quadra com Ginóbili, o que não diminuiu sua importância na conquista. Atuou em 68 partidas na temporada regular e em todos os jogos da franquia nos playoffs, sendo sempre uma mão confiável nos arremessos de longa distância.
Foi envolvido pelos Spurs na mesma troca que levou Kawhi para os Raptors, em 2018, onde ganhou seu segundo anel de campeão. Com o fim de seu contrato, assim como Leonard, foi para Los Angeles, mas para atuar pelos Lakers de LeBron James e buscar mais uma conquista.
Tiago Spliter
Primeiro brasileiro campeão da NBA, o pivô Tiago Spliter atuou por sete temporadas na liga, cinco delas pelos Spurs, equipe que o draftou em 2007, mas que só foi incorporado ao elenco em 2010.
Titular em 50 partidas na temporada regular e em quase todos os jogos dos playoffs, Spliter, assim como a equipe, tinha o coletivo como grande virtude, além de ser bom marcador e eficiente em ambos os lados da quadra. Terminou a pós-temporada de 2013-14 atuando cerca de 22 minutos por partida e com o melhor aproveitamento dos arremessos de quadra, com 61%, muito acima da marca de seus companheiros.
Na temporada seguinte as lesões começaram a ser mais frequentes, e em 2015 foi mandado para os Hawks onde teve lampejos de atuações daquele jogador campeão. Em 2017 foi envolvido em outra troca, agora com os 76ers, onde teve poucas atuações, o que culminou em sua aposentadoria.
Atualmente atua no cargo de Técnico de Desenvolvimento do Brooklyn Nets, promoção atingida após entrar na franquia como olheiro.
Manu Ginóbili
Emanuel David Ginóbili foi um dos maiores achados dos Spurs em toda sua história. Se Duncan foi selecionado como primeira escolha do draft e Parker ainda no primeiro round, o argentino foi escolhido na longínqua 57ª escolha do ano de 1999, mas só foi atuar mesmo pela franquia texana a partir de 2002 após adquirir experiência no basquete italiano.
Após anos de muito protagonismo na equipe, aos poucos foi sendo utilizado como sexto-homem, papel esse que desempenhou com maestria, tendo ganho o prêmio de Sixth Man em 2008, além de ser chamado duas vezes para o All-Star Game (2005 e 2011).
De contrato renovado por mais dois anos no início da temporada 2013-14, Ginóbili terminou em terceiro na eleição de sexto-homem do ano, afinal teve médias de 12,3 pontos e 4,3 assistências em pouco mais de 20 minutos em quadra. Entrou em todas as partidas dos playoffs, inclusive aumentado sua minutagem em quadra com relação à temporada regular, e sempre calibrado, conquistou seu quarto título de campeão.
Atuou mais quatro temporadas na liga, todas pelos Spurs, saiu de cena em 2018. Em março de 2019 teve sua camisa 20 aposentada e içada ao lado da 21 de seu companheiro Tim Duncan.
Patty Mills
Selecionado pelos Blazers no draft de 2009, Mills passou, além da franquia do Oregon, pela liga de desenvolvimento e pelas ligas australiana e chinesa até desembarcar em 2012 nos Spurs, onde logo de início já demonstrou seu valor ao anotar 34 pontos e 12 assistências pouco tempo depois de assinar contrato.
No ano do título foi o jogador a atuar em mais partidas pelos Spurs, com 81 jogos, incluindo duas como titular. Teve seu maior tempo de quadra até então, e foi crucial no jogo que decretou o título de San Antonio ao anotar 14 de seus 17 pontos no terceiro quarto contra Miami.

Em 2017 renovou contrato com os Spurs por mais quatro anos e segue na franquia até hoje.

Marco Belinelli
Primeiro italiano campeão da NBA, Marco Belinelli entrou na liga em 2007, após ser draftado pelos Warriors. Após rodar pelos Raptors, Hornets e Bulls, chegou ao San Antonio no começo da temporada 2013-14 e, além do título, também foi campeão do desafio de 3 do All-Star Game.
Teve altos índices de aproveitamento de arremessos de quadra, contando com bolas longas e lances-livres. Participou de 80 jogos na temporada regular, quase sempre vindo do banco, e nos playoffs atuou em todas as partidas.
Deixou os Spurs em 2015 e seguiu para os Kings, de onde foi para os Hornets, Hawks, 76ers até voltar para San Antonio em 2018, onde atua até o momento.
Boris Diaw
Mais um jogador estrangeiro do elenco dos Spurs, o francês Boris Diaw teve uma boa passagem pela franquia, com duas finais e um título. Eleito o jogador que mais evoluiu em 2006 pelos Suns, chegou à NBA três anos antes após ser draftado pelos Hawks. Após passar por Atlanta e Phoenix, chegou aos Hornets, de onde em 2012 saiu para atuar pelos Spurs.
Peça importante da rotação, Diaw foi titular em parte da série final contra o Heat e teve um salto de 10 minutos na temporada regular para 35 no duelo contra Miami, sendo fundamental no título.
Foi para o Jazz em 2016, atuou por uma temporada até voltar a jogar na França, pelo Levallois Metropolitans, de onde anunciou sua aposentadoria em 2018.
Jeff Ayres
Draftado em 2009 pelos Kings e logo enviado aos Blazers, Ayres passou pelos Pacers antes de chegar em 2013 nos Spurs e atuar por 72 partidas da temporada regular na campanha do título, 10 delas como titular. Teve seus minutos reduzidos nos playoffs, mas entrou em quase todos os jogos.
Após ser mandado para liga de desenvolvimento, deixou a equipe em 2015 e foi para os Clippers. Passou ainda pelo CSKA Moscou, da Rússia, basquete turco e atuou na liga japonesa, pelo Ryukyu Golden Kings.
Cory Joseph
Escolhido pelo próprio Spurs em 2011, o canadense Joseph teve seu início de NBA mais conhecido por atuar pelo Austin Toros, equipe da liga de desenvolvimento afiliada ao San Antonio, onde inclusive foi escolhido para o All-Star da liga, mas perdeu o jogo por lesão.
Atuou com consistência na temporada do título, sendo um backup para Parker, juntamente com Mills. Deixou a equipe em 2015 para jogar pelos Raptors, onde atuou por duas temporada até rumar para os Pacers. Na atual temporada defende a equipe do Sacramento Kings.
Matt Bonner
Outro veterano do elenco, Bonner atuou quase toda sua carreira por San Antônio, após passar pelo basquete italiano e entrar na NBA pelos Raptors. Com exceção de uma temporada (2008-09), sempre atuou vindo do banco e conquistou pelos Spurs os títulos de 2007 e 2014.
Foi titular em duas partidas dos playoffs, mas teve raros minutos em quadra mesmo assim, o que não lhe tira o anel de campeão. Se aposentou em 2017, ainda atuando pelos Spurs, e contou com uma "aposentadoria" de sua camiseta no vestiário pouco tempo após seu anúncio.
Aron Baynes
Na miscelânea estrangeira dos Spurs para temporada 2013-14 estava o australiano Aron Baynes, que chegou no meio da temporada anterior ao título e atuou mais pelo Austin Toros na liga de desenvolvimento.
Na temporada 2013-14 participou de inúmeras partidas, contando com 4 como titular na temporada regular, mas sem grande destaque. Após sair dos Spurs em 2015, passou por Pistons, Celtics e hoje atua pelos Suns.
Austin Daye
Selecionado na 15ª escolha do draft de 2009 pelos Pistons, Daye nunca se firmou na NBA, mas esteve no lugar certo em 2014 para levar para casa o anel de campeão da liga.
Chegou aos Spurs na troca que envolveu a ida de Nando de Colo para os Raptors no meio da temporada. Alternou entre o Austin Toros e a equipe principal, e teve uma participação nos playoffs, na qual conseguiu um rebote em seus seis minutos em quadra.
Passou pelos Hawks antes de rodar pelo Bahrein, Turquia, Israel e Itália, onde hoje defende o Reyer Venezia.
Damien James
Foram apenas 5 partidas na temporada regular, uma delas como titular, nenhuma atuação nos playoffs, mas James pode dizer a todos que tem em seu currículo um título da NBA.
Após sua única temporada pelos Spurs, virou um andarilho do basquete com passagens pela França, Austrália, Venezuela, Israel e Porto Rico.
Outros jogadores como, Nando de Colo, Shannon Brown e Othyus Jeffers também fizeram parte do elenco dos Spurs em algum momento da temporada, mas não estiveram no roster final da equipe que indica quem foi realmente campeão. De Colo foi para os Raptors e tem uma carreira consolidada na Europa; Brown saiu para os Knicks antes da conquista e Jeffers rumou para os Wolves no meio da temporada.