Conteúdo

Kawhi decisivo, Doncic imparável e Lebron acrobático. Confira o resumo da rodada da NBA

23 de novembro de 2019
(por Leonardo Costa)
Saiba como foram os jogos de sexta-feira da NBA:
Los Angeles Clippers 122 x 119 Houston Rockets
Era a partida da rodada e confirmou as expectativas. Até a NBA usou da tecnologia para apresentar na transmissão uma câmera que remetia às tomadas de videogame em muitos momentos. Os Rockets pareciam ter a vitória nas mãos com dois minutos para o final da partida, mas os Clippers dão a cada dia mais mostras de porque são um dos favoritos ao título.
James Harden (37 pts, 8 reb e 12 ast) acertou uma bola de três tremenda e teve um lance extra pela falta que sofreu, em uma tentativa de ser marcado por Patrick Beverley e Paul George numa jogada em que os três terminaram no chão. Harden provocou ao apontar para os dois rivais no piso, e depois para os demais, em um claro sinal de que lhes dedicava a jogada que havia terminado de fazer.
A afronta parece que acendeu os Clippers, que das mãos de Kawhi Leonard (24 pts e 6 reb), frio como sempre, anotou a cesta definitiva (a nona para deixar sua equipe na frente do placar no último minuto da partida ou da prorrogação desde a temporada passada) e dar o triunfo para os donos da casa.
Se Kawhi é esplêndido, Lou Williams não fica muito atrás ao ter marcado uma bola de três em momento crucial da partida e terminar o duelo com 26 pontos e 8 assistências após um início tímido.
O Barba não quis arriscar arremesso de três que empataria a partida, estava com marcação dupla, e para Russell Westbrook (22 pts, 5 reb e 6 ass), que mesmo desmarcado não acertou o arremesso e Paul George (19 pts, 8 reb e 7 ass) tratou de eliminar qualquer chance de reação ao desviar um passe.
Oklahoma City Thunder  127 x 130 Los Angeles Lakers  
Não é nenhuma notícia que os Lakers são a melhor equipe da temporada, mas graças a LeBron James também são um dos melhores times para se assistir. Levando ao pé da letra sua atuação como armador, LeBron está cada vez mais solto e tem mostrado traços de showtime de outra maneira, inclusive com uma jogada que lembrou muito os movimentos da NFL. Repartiu 14 assistências, o melhor da liga na estatística, e leva sete partidas consecutivas com 10 ou mais, algo que os Lakers não conseguiam desde 1991 com Magic Johnson. Além disso, roubou a última bola em uma jogada de OKC com três segundos para o fim da partida que poderia empatar o jogo.
De qualquer forma, sem que o resto dos companheiros corroborassem, tudo isso não valeria de nada, porque a vitória provavelmente não viria. Mas os Lakers estão funcionando como um relógio. Anthony Davis vem crescendo a cada noite, fazendo o que dele se esperava, atuando como a estrela que é. Desta vez foram 33 pontos, 11 rebotes e 7 assistências com 4 de 7 em bolas de três.
Nomes como Danny Green, JaVale McGee e Dwight Howard estão aproveitando bem seus minutos em quadra, o mesmo passa com Kyle Kuzma e até mesmo Kentavious Caldwell-Pope, que parece outro jogador após a lesão de Avery Bradley.
O Thunder, mesmo com a derrota, caiu com honras. Está faltando pouco, mas pouco mesmo, para que eles possam vencer esse tipo de partida. O fato é que possuem a oitava pior campanha da temporada, mas estão vendendo caro a derrota. Jogam bem e não seria o fim do mundo se beliscassem uma vaga de playoffs no final da temporada. Ainda mais agora com Warriors combalidos, Spurs e Blazers em apuros, deixando o Oeste mais aberto do que parecia. Por fim, Shai Gilgeous-Alexander, que terminou a partida com 24 pontos, 7 rebotes e 4 assistências, é um jogador de classe e que tem tudo para seguir crescendo para se tornar o nome da franquia.
Detroit Pistons 128 x 103 Atlanta Hawks
Um jogo marcado por duas equipes que estão longe da briga das melhores posições do Leste. Enquanto os Pistons vem tendo uma temporada bem abaixo do que mostraram no último campeonato, os Hawks vai decepcionando em um ano que era para dar um passo a mais com seu elenco recheado de jovens.
A partida foi praticamente decidida no primeiro tempo, em que os donos da casa anotaram 76 pontos e dessa forma abriram uma cômoda vantagem de 19 pontos na ida para os vestiários. Na volta do intervalo, o ritmo dos Pistons continuou intenso, tanto que anotaram o 100º na metade do terceiro-quarto e apagaram qualquer faísca de uma possível reação dos Hawks.
Nove jogadores de Detroit acertaram ao menos uma bola de três, além disso, sua pontuação nos dois quartos iniciais é a mais alta da franquia desde 1983. Por fim, a vitória veio com sobras e a dupla Andre Drummond e Blake Griffin dos Pistons foi o destaque. Griffin anotou 24 pontos, enquanto o pivô teve uma outra boa atuação com 23 pontos e 15 rebotes. Pelos Hawks, que perderam a quinta seguida, sofrendo no mínimo 120 pontos nos últimos oito jogos, DeAndre' Bembry foi o melhor em quadra com 22 pontos, 4 rebotes  6 assistências.
Washington Wizards 125 x 118 Charlotte Hornets
Em outro duelo da parte debaixo da tabela da Conferência Leste, Wizards e Hornets fizeram uma partida muito equilibrada, com muitas trocas de liderança, mas que no fim o triunfo ficou na mão dos anfitriões, sobretudo devido a atuação de Bradley Beal.
Beal terminou a partida com 30 pontos e 12 assistências, Thomas Bryant somou 21 pontos e 11 rebotes por uma franquia de Washington que soube ter forças para remontar uma desvantagem de 13 pontos no último quarto.
Davis Bertans veio do banco e conseguiu 20 pontos, incluindo seis bolas de três, Jordan McCrae foi imprescindível ao anotar 8 de seus 13 pontos no quarto derradeiro, incluindo a cesta da virada, e os Wizards anotaram sua segunda vitória consecutiva pela primeira vez nesta temporada.
Já por Charlotte, Miles Bridges anotou 31 pontos, sua maior pontuação da carreira, mas insuficiente para impedir a terceira derrota seguida da equipe.
Chicago Bulls 108 x 116 Miami Heat
Jimmy Butler anotou 27 pontos contra os Bulls, fazendo valer a lei do ex, e o Heat venceu mais uma para chegar ao quinto triunfo seguido na temporada. Butler, que jogou em Chicago de 2011 a 2017, teve 7 de 10 nos arremessos de quadra e completou sua atuação com cinco rebotes e sete assistências.
Bam Adebayo aportou 16 pontos e 14 rebotes, enquanto o calouro sensação, Kendrick Nunn, que é de Chicago, converteu 13 de seus 21 pontos no primeiro tempo para ajudar o Miami a melhorar ainda mais seu início de campeonato. O Heat liderou desde o início e chegou a ter uma vantagem de 26 pontos.
Zach LaVine foi a ilha de salvação num mar de desespero chamado Chicago Bulls. Terminou o jogo com 15 pontos e viu sua equipe ter 6 derrotas em nove partidas disputadas em casa.
Dallas Mavericks 143 x 101 Cleveland Cavaliers
O Mavericks começam a parecer uma equipe para levarmos ainda mais a sério. Ganharam recentemente dos Warriors por 48 pontos e agora cravaram 42 pontos pra cima dos Cavaliers, em um +90 que os deixa no quarto posto da história em quanto a diferença a favor após duas partidas seguidas. Dito isto, é verdade que aconteceu contra Golden State e Cleveland, os últimos de suas conferências, mas ainda assim não podemos tirar o mérito de Dallas.
Mais uma vez comandados por Luka Doncic, para quem já vão ficando escassos os adjetivos, já ganhavam por mais de 20 pontos logo no primeiro quarto. O esloveno não pode anotar seu terceiro triplo-duplo seguido, faltaram 3 rebotes, mas outra vez anotou 30 pontos e 14 assistências, fato que o torna o jogador mais jovem com tais números em três jogos consecutivos. Desde Dirk Nowitzki, em 2010, um jogador dos Mavs não tinha três partidas seguidas com mais de 30 pontos. O ídolo da franquia viu in loco a atuação de Doncic, que sequer precisou jogar 30 minutos por jogo nas últimas duas partidas para atingir tais recordes.
Além dele, Kristaps Porzingis  (17 pts e 7 reb) vem em uma sequência de boas atuações, assim como Tim Hardaway Jr, (18 pts e 4 ast) enquanto que o banco somou 64 pontos divididos em sete jogadores. Os suplentes de Dallas fazem parte de uma das melhores segundas unidades da liga e tem muita influência na sequência de quatro triunfos seguidos da equipe.
Pelos Cavs, o destaque ficou por conta de Darius Garland, 5ª escolha do draft de 2019, que terminou com 23 pontos e 4 assistências.
Brooklyn Nets 116 x 97 Sacramento Kings
Nets e Kings se enfrentaram num momento em que ambas equipes precisavam provar a si mesmas qual o patamar que se encontram na temporada. E o que partida mostrou é que Brooklyn, mesmo sem Kyrie Irving, está em um patamar superior ao adversário.
A franquia de Sacramento vinha empolgada após triunfos sobre Celtics e Suns, enquanto os Nets estavam em um momento gangorra na temporada. Coube a Spencer Dinwiddie e seus 23 pontos, além de Joe Harris e seus 22, guiarem os donos da casa a uma vitória construída desde os primeiros minutos.
Garrett Temple, responsável pela primeira cesta de um Brooklyn que jamais esteve abaixo no placar, terminou com 18 pontos, Jared Allen com 11 e 9 rebotes. O primeiro quarto até terminou de forma equilibrada (26-23), mas aos poucos a vantagem foi se estabelecendo e trazendo mais calma para a rodagem de bola dos Nets.
Harrison Barnes foi cestinha dos Kings com 18 pontos. Buddy Hield esteve abaixo de suas últimas atuações e terminou com 16 pontos.
Utah Jazz 113 x 109 Golden State Warriors
Donovan Mitchell anotou 30 pontos, Mike Conley somou 27 e o Utah Jazz se impôs sobre os Warriors esburacados de desfalques. A lesões deixaram Golden State com apenas oito jogadores disponíveis.
Bojan Bogdanovic aportou 17 pontos pelos donos da casa e Rudy Gobert foi destaque mesmo pelos seus seis tocos. Utah teve 51% de acerto nos arremessos de quadra e superou por 48-36 o adversário em rebotes.
Alec Burks converteu 20 pontos para os Warriors, enquanto Omari Spellman somou 18. Glenn Robinson III e Ky Bowman contribuíram com 17 cada um. O Golden State foi guerreiro, correu atrás de uma desvantagem de 21 pontos e se pôs a 111-109 a 22,8 segundos para o fim da partida, mas Mitchell e Conley anotaram seus lances-livres nos últimos instantes para selarem o triunfo de Utah.
A nota triste da noite ficou pela evacuação do ginásio do Jazz após o final da partida devido a presença de um pacote suspeito nas arquibancadas. Muitos torcedores já haviam deixado o Vivint Smart Home Arena, mas jogadores, técnicos e repórteres ainda estavam dentro e tiveram que sair às pressas. Por fim, não passou de uma suspeita, e conforme a polícia de Salt Lake, o pacote suspeito era uma caixa de ferramentas.
Denver Nuggets 96 x 92 Boston Celtics
Os Nuggets venceram a quarta partida seguida. Após levarem a melhor em um duelo direto contra os Rockets, propiciaram aos Celtics a segunda derrota seguida, que não puderam contar com Kemba Walker desde o segundo quarto, quando o armador deixou a partida imobilizado após um choque com Semi Ojeleye. Segundo Brad Stevens, técnico de Boston, exames preliminares não detectaram nenhum dano estrutural importante, tanto na cabeça quanto no pescoço.
De qualquer forma, a equipe de Kemba ficou sempre atrás do placar, se aproximou do rival nos instantes finais, mas não estava em noite muito calibrada. Foram 25,9% de aproveitamento nas bolas de três, com exceção de Jaylen Brown, cestinha da equipe com 22 pontos, além de 10 rebotes e 4 assistências. Mas salvo alguma ajuda de Jayson Tatum (16 pts), esteve demasiado sozinho para encarar uma equipe que parece ter recuperado seu melhor jogo.
A partir de um Nikola Jokic que joga melhor a cada partida e que faz de tudo um pouco (18 pts, 16 reb e 10 ast), os Nuggets são um conjunto que aflora virtudes. Jamal Murray dá mostras de que sabe seu potencial ofensivo ao terminar a partida com 22 pontos, enquanto Paul Milsap e Will Barton são coadjuvantes de bom nível. Denver vive momentos felizes e se estabelece na segunda posição do Oeste.
Philadelphia 76ers 115 x 104 San Antonio Spurs
(por Maju Ronchetti)
O San Antonio Spurs vem de um início de temporada irreconhecível para quem está acostumado com as 24 temporadas consecutivas do técnico Gregg Popovich, vencedor de 5 títulos da NBA e que levou o time para 22 playoffs seguidos, consagrando assim uma grande dinastia nos Spurs sobre seu comando. Entretanto, não é o que o torcedor está presenciando nesse momento. O time está tentando achar seu espaço na liga para continuar sendo competitivo, Popovich alega erros na defesa, porém não vê ainda motivo para pânico e continua sendo otimista em relação a recuperação do time, mantendo o espirito de equipe, boa confiança e almeja uma possível chegada aos Playoffs em 2020.
Já do outro lado, por mais que venham com alguns deslizes nesta temporada, os sixers contam com um recorde perfeito em casa, (5 vitorias-0 derrotas).
Um jogo após sua primeira e histórica cesta de 3 pontos na NBA, Ben Simmons ainda não é reconhecido como uma possível ameaça do perímetro, assim não encoraja os adversários a marcarem a jogada longa distancia dele, o que faz com que o jogador fique com bastante espaço e liberdade para passar pelos marcadores e entrar com velocidade no garrafão. Foi assim, que Simmons realizou uma ótima partida também sendo maestro do time, marcando mais um triplo-duplo nessa noite com 10 pontos, 13 assistências e 10 rebotes. Vale destacar também Tobias Harris, que fez 26 pontos, 6 rebotes e 4 assistências, e Joel Embiid, com 21 pts, 14 rebotes, 3 assistências.
Mesmo com a equipe de Philadelphia bem posicionada pela quadra, o San Antonio utilizou bem do seu arremesso de meia distância, uma marca registrada dos Spurs,  com LaMarcus Aldridge e DeMar De Rozan com 17 e 29 pontos consecutivamente. Outro destaque para a equipe dos Spurs foi Rudy Gay, que nesta noite anotou 22 pontos e 4 rebotes, jogador que veio do banco para ajudar o time ofensivamente.
Logo no primeiro quarto, Joel Embiid levou duas faltas, acabou sendo explorado pelo time adversário e foi colocado no banco após sua terceira falta.
Sob o comando de Brett Brown, ex-assistente técnico dos Spurs por 11 temporadas, portanto parceiro fiel do seu rival dessa noite, Greg Popovich, foi herdeiro de um Philadelphia em modo de reconstrução em 2013 durante seu primeiro ano assumindo a franquia. Normalmente é Brett Brown que conhece sobre perdas consecutivas, já que perdeu 26 jogos seguidos em sua primeira temporada com o time dos 76ers, que era o mais jovem da liga. Depois de anos de trabalho e preparo (contando até com ajuda do seu amigo Greg Popovich), Brown colhe seus frutos enquanto em contrapartida o próprio Pop assiste seu time em fase decadente, perdendo seus principais nomes. Brett diz que agora é hora de retribuir tudo que Greg ja lhe fez e ajuda-lo. Popovich confessou em tom de brincadeira, não ser tão ruim assim perder para seu ex-companheiro de equipe, e que fica feliz em acompanhar o sucesso do colega.