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O anúncio triste de um mágico que fazia sorrir. Nessa semana fez 28 anos que Magic Johnson comunicou ao mundo ser HIV positivo

10 de novembro de 2019

(por Vinícius Freitas)

 

Até mesmo aqueles que tem o dom de nos enfeitiçar com seus feitos mágicos, podem ser obrigados a enfrentar desafios que nem mesmo o ancião mais sábio superaria sem dificuldades. E quando temos as palavras ‘magia’ e ‘basquete’ em um mesmo contexto, não é difícil fazer referência ao lendário Earvin ‘Magic’ Johnson, um dos maiores nomes do esporte e um dos responsáveis (se não o maior responsável) pelo apelido de ‘Showtime’ dos Lakers nos anos 80.

Porém, diferente de suas exibições em quadra, dessa vez, em 07 de Novembro de 1991, Magic Johnson chocava não só seus adversários, mas todos os envolvidos com o esporte, ao anunciar que havia contraído o vírus do HIV e que não mais jogaria profissionalmente, se aposentando do esporte.

No início dos anos 90, devido ao começo da propagação da doença e a falta de conhecimento, a simples menção do vírus HIV ou da AIDS, significava o fim da vida para grande parte da população mundial, e, um pouco antes no Brasil, no dia 07 de Julho de 1990, o cantor Cazuza havia falecido por conta do mesmo vírus, nos mostrando o quanto aquela doença era devastadora. Tempos depois do anúncio de Magic Johnson, Freddie Mercury também faleceu por conta da AIDS, em 24 de Novembro de 1991, e, no dia 06 de Abril de 1992, o escritor Isaac Asimov, também falecera após ser contaminado com o vírus em uma transfusão de sangue. Motivos para se preocupar não faltavam.

Mesmo aos 32 anos de idade, Magic Johnson era um dos principais jogadores da liga na época, e apesar de sua fama e admiração da mídia, torcedores e até mesmo adversários, teve como maior confronto na vida o preconceito.

Apesar de todo o cenário desfavorável, Magic Johnson foi um verdadeiro porta-voz contra a doença, pois desde sua declaração falou abertamente e explicou muitos pontos sobre a AIDS e o vírus do HIV, alguns deles até então desconhecidos para aqueles que não possuíam o vírus, e devido a isso não procuravam saber sobre.

Devido ao seu carisma, estava grande parte do tempo rodeado por familiares, amigos, companheiros de equipe, e até mesmo adversários, como Larry Bird, maior rival e grande amigo fora da quadra, e, após declarar abertamente sua luta para sobreviver contra a AIDS, percebeu que grande parte das pessoas se afastaram, evitando encontros pessoais, e até mesmo abraça-lo, com medo de serem contaminados, sendo um verdadeiro baque na vida do jogador.

Mesmo se aposentando na temporada 91/92, foi o jogador mais votado para o All-Star Game, e, apesar de alguns protestos para que o atleta não jogasse, alguns deles vindo de seus companheiros de equipe, Byron Scott e A.C. Green, além de várias críticas de outro astro da liga na época, Karl Malone, alegando que caso houvesse algum ferimento com sangramento, os outros atletas corriam sérios riscos de contaminação, não seria viável banir sua participação no jogo, tanto pela causa que o atleta lutava quanto pela sua importância no renascimento da liga no começo dos anos 80. Magic Johnson participou do jogo, onde foi eleito o MVP da partida, com 25 pontos, 5 rebotes e 9 assistências, provando que em quadra a sua mágica ainda era feita com maestria.

 

 

Após ser eleito MVP do All-Star Game, participou das Olimpíadas de 1992, em Barcelona, onde integrou o “Dream Team” dos EUA, junto com Michael Jordan, Larry Bird, David Robinson, Charles Barkley, Chris Mullin, Clyde Drexler, Scottie Pippen, Karl Malone, John Stockton, Patrick Ewing e Christian Laettner, vencendo todos os jogos com folga no placar e conquistando a medalha de ouro para a seleção americana.

Permaneceu fora das quadras por um tempo, cada vez mais ativo na prevenção da AIDS, fazendo pronunciamentos e divulgando todo tipo de informações referente à causa.

Fez a sua temporada de despedida na temporada 95/96, aos 36 anos, onde disputou 32 jogos, com 14.6 pontos, 5.7 rebotes e 6.9 assistências de média, encerrando assim um dos legados mais importantes da história do basquete, não só pelos feitos dentro de quadra, mas também pela luta contra uma das doenças mais letais do mundo.

O ex-jogador tem 60 anos, e vive como se nunca tivesse contraído o vírus do HIV, sendo um exemplo de perseverança e resiliência para todos aqueles que desistiriam de viver ao contrair uma doença como a AIDS.