April 10, 2020

Andrew Wiggins: Por que consideramos um jogador com média de quase 20 pontos por jogo um “bust”?

(por Matheus Correia)

 

Uma das trocas mais badaladas desta temporada na NBA tirou Andrew Wiggins dos Minnesota Timberwolves e o levou para o Golden State Warriors. Draftado na primeira escolha do recrutamento de 2014 pelo Cleveland Cavaliers, Wiggins tem médias de 19.7 pontos por partida, 2.3 assistências e 4.3 rebotes em 6 temporadas na liga. Está longe de ser um superstar, nível no qual foi projetado a alcançar antes de ser draftado, quando chegou até mesmo a receber o apelido de “Maple Jordan” (Maple fazendo referência ao Canadá, seu país). Entretanto, suas médias demonstram um perfil de bom jogador, que chegou a marca de quase 20 pontos de média em sua carreira com apenas 24 anos.

Apesar dos números positivos, quem acompanha a NBA sabe que a fama de Wiggins na liga é o exato oposto de um “bom jogador”. Decepcionante, supervalorizado, preguiçoso, salário excessivo, ineficiente, enfim, são diversos os adjetivos que os fãs e analistas do basquete usam para definir o jogador, o que leva a conclusão de que o atleta é um “bust”.

Na NBA, Bust é aquele jogador escolhido em uma posição alta no draft, mas que tem desempenho catastrófico ao chegar na liga. Darko Milicic, Kwame Brown e Anthony Bennett são uns dos exemplos mais clássicos que definem o termo. E então, surge o questionamento: Por que colocamos Andrew Wiggins no patamar destes jogadores?

Quando falamos que em alguns casos os números de um jogador não representam de fato o quão bom ele é, um dos primeiros exemplos a vir em mente é Draymond Green, novo companheiro de Wiggins. Dá pra dizer que Green é o completo oposto de Andrew. Números baixos, eficiência enorme. Draymond nunca teve uma temporada de 20 pontos por partida e, em sua carreira, tem apenas 9 pontos de média. Em recente entrevista para o repórter Nick Friedell da ESPN, Draymond Green relatou seus pensamentos sobre seu novo companheiro de equipe. “Ele não precisa que ninguém pegue em suas mãos e o guie. É um jogador que tem três ou mais temporadas com 20 pontos de média, não estamos falando sobre a p*** de um jogador ruim”.

 

 

O fato é que sua média de pontuação esconde seus verdadeiros problemas. Um esforço defensivo quase inexistente, uma péssima eficiência no ataque, um True Shooting de 51%, e um contrato de 146 milhões de dólares por cinco anos. Além disso, estatisticamente, os Wolves eram melhores em quadra sem ele.

Entretanto, Wiggins mostrou uma excelente evolução (e reinvenção) na primeira metade desta temporada. Eficiência no ataque, melhora na defesa e na movimentação da bola. O ala melhorou sua capacidade de arremesso de média distância, chegando a elevar seu True Shooting para 55%. Porém, o jogador não conseguiu manter a boa forma. Com o calendário se aproximando do All-Star Break, os Wolves caminharam para uma crise dentro e fora de quadra, e Wiggins parece ter “desanimado”.

No Golden State Warriors, o jogador se torna a terceira opção no ataque. Isso claro, com Stephen Curry e Klay Thompson saudáveis. Talvez o “Maple Jordan” tenha potencial para ser maior e mais importante do que Harrison Barnes foi para franquia há 4 temporadas. É necessário claro, uma melhora no aproveitamento dos arremessos de três pontos, algo que Wiggins tem dificuldade desde sua primeira temporada na liga. Curiosamente, nos seus primeiros quatros jogos na nova equipe, o atleta tem um aproveitamento de 52,6% nos arremessos do perímetro. Sua maior marca na carreira antes da chegada em San Francisco foi de 35,6%. A sua “fraca” defesa, fator pelo qual foi criticado durante toda a trajetória na NBA, não deverá ser uma grande problema, muito pelo fato de Klay Thompson e Draymond Green serem defensores de elite e conseguirem marcar diferentes posições em quadra. Mas claro, seria extremamente interessante e útil para a equipe se Wiggins tivesse um empenho defensivo semelhante ao da primeira metade da temporada.

A mudança de ares tem tudo para ser algo positivo para o canadense. A temporada de 2020-21 será determinante em diversos fatores para o Golden State; caso Curry e Thompson se mantiverem saudáveis, a equipe certamente será contender (isso sem falar da possível pick alta no draft de 2020), e Wiggins com certeza será parte importante nisso. D’Angelo Russell pode até ser um jogador superior, mas Andrew é um encaixe tático melhor, de forma que Thompson não seja forçado a jogar na posição três.

É de extrema importância não avaliar Andrew Wiggins pelo seu basquete NESTA temporada por GSW. O que realmente importa no fim das contas, é sua adaptação e utilidade com as estrelas da equipe em quadra. O jogador tem todas as ferramentas para fugir de ser um “bust”. E de certa forma, só depende dele mesmo.

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