February 19, 2020

Astro dentro e fora das quadras, conheça mais sobre Damian Lillard, um dos melhores armadores da NBA

(por Cassiano Pinheiro)

 

Damian Lamonte Ollie Lillard, filho de Houston Lillard e Gina Johnson, nascido em Oakland-CA no dia 25 de julho de 1990, mais conhecido como Damian Lillard.

Lillard, assim como diversos outros atletas, teve uma infância muito difícil. Dame é de Brookfield Village, uma região da Califórnia muito conhecida por sua violência. Crescer em meio as dificuldades não foi nada fácil e a verdade é que Lillard era só mais um garoto da periferia que poderia dar errado. Porém, desde cedo, o jovem Lillard já pensava em algo maior, em mudar a vida de sua família. Damian conta em em dos episódios de seu documentário que certo dia quando era criança estava com sua mãe, alguns familiares e amigos conversando e ele disse que iria mudar tudo aquilo, que se tornaria um jogador profissional da NBA, um All-Star e que daria uma condição melhor para a sua mãe, houve um pequeno silêncio e logo depois todos riram, porque aquilo parecia ridículo aos ouvidos alheios. Bom, o tempo mostrou quem estava certo. Esse mini-documentário aliás é uma boa pedida, produzido em parceria com a Adidas já são sete episódios com média de seis minutos e todos estão no canal do YouTube do jogador

 

Antes de entrar na maior liga de basquete do mundo Lillard jogou três anos pela Weber State University, após esse período ele foi adquirido pelo Portland Trail Blazers na sexta escolha do draft de 2012. Nesse mesmo recrutamento Anthony Davis foi a primeira escolha e outros nomes de destaque da liga também estavam envolvidos, como Bradley Beal (Wizards) e Andre Drummond (Cavaliers). Damian “chegou chegando” na NBA, em seu ano de estreia foi eleito de forma unânime o calouro do ano, com médias de 19 pontos e 6.5 assistências. Foi nomeado e jogou o Rising Stars Challenge que é o desafio entre calouros e segundo-anistas no fim de semana das estrelas e também venceu o torneio de habillidades daquele ano.

O segundo ano foi de afirmação e dos sonhos para Lillard e os Blazers, o time fez boa campanha durante a temporada regular terminando na 5ª posição da Conferência Oeste. Na primeira rodada dos playoffs eles iriam encarar o Houston Rockets de James Harden e Dwight Howard. Final do Jogo 6 em Portland, os Blazers venciam a série por 3-2, faltavam somente 0.9 segundos para o fim e os Rockets venciam por 98-96 forçando um 7º jogo que seria em Houston. Lillard se desvencilha da marcação, recebe o lateral de Nicolas Batum e acerta um dos melhores game-winners da história da pós-temporada da NBA e como esquecer a narração emblemática “And the Blazers win the series for the first time in FOURTEEN YEARS!!!”. Os Blazers vinham em um jejum gigantesco em playoffs, a última série vencida pelo time havia sido na temporada 1999-00 nas semi-finais de conferência contra o Utah Jazz.

Na segunda rodada os Blazers seriam eliminados pelos Spurs, mas aquilo já era uma grande vitória. Damian chegou para formar uma ótima dupla com LaMarcus Aldridge, que já estava na franquia há um tempo esperando um talento para conduzir o time junto com ele. Nesse mesmo ano Lillard foi eleito mais uma vez All-Star e participou de todos os eventos possíveis do fim de semana, Rising Stars Challenge, Desafio de enterradas, desafio de habilidades e desafio de três pontos.

Nos anos seguintes Lillard continuou jogando muito bem e ajudando os Blazers a alcançarem os playoffs, porém, em 2014-15, eles foram eliminados na primeira rodada pelos Grizzlies (4-1). A temporada 2015-16 foi de grande mudança para Dame, LaMarcus Aldridge decidiu se juntar ao San Antonio Spurs e Lillard definitivamente ficou com a chave da franquia. Junto com seu parceiro CJ McCollum os dois formaram e ainda formam uma das melhores duplas de back-court da liga, os dois se complementam muito bem e por diversas vezes quando Lillard não conseguia segurar a bronca CJ chamava o jogo para si. Nesse ano eles eliminaram os Clippers, mas depois perderam para os Warriors (4-1) e nos dois anos subsequentes foram varridos na primeira rodada respectivamente por Warriors e Pelicans.

A situação ficou ruim para Damian e para o time que constantemente fazia boas campanhas na temporada regular, no entanto não conseguiua chegar longe nos playoffs. Porém, algo que começou lá no início da carreira de Lillard o acompanha até hoje e é sua principal marca na liga, a de ser um jogador extremamente decisivo. Lillard é um dos melhores jogadores da NBA quando se fala dos minutos finais das partidas, ele tem até uma expressão própria, o “Dame Time”, que é quando o atleta acerta bolas extremamente decisivas, geralmente nos segundos finais. Ele sai apontando para o pulso, simulando um relógio, dizendo para os fãs e adversários que a hora é dele, que quando o calo aperta ele resolve para o seu time.

Na temporada passada Dame fez extamente isso, depois de vir de duas varridas, e totalmente desacreditados, os Blazers consegruiram seu melhor resultado em quase 20 anos. Chegaram à final de Conferência, logo no primeiro round eles encararam o OKC de Westbrook e Paul George. Mais uma vez um jogo decisivo em Portland, dessa vez o jogo 5, com o placar empatado em 115-115, ele começa a bater bola na frente de Paul George, simplesmente um dos melhores defensores da liga, segundos finais, última bola do jogo, Lillard mais perto do meio da quadra do que da linha dos três arremessa, a bola faz um arco lindo e cai direto na cesta para sacramentar a vitória e mandar o Thunder para casa, mais uma vez Dame era responsável por um explosão de alegria no Moda Center.

O próximo duelo seria contra os Nuggets e os Blazers saem vencedores da batalha em 7 jogos, nas finais de Conferência eles encaram mais uma vez seus pesadelos de pós-temporada, os Warriors, e são varridos mais uma vez, mas assim como em 2014, a torcida considerou como se fosse uma vitória, o time chegou longe demais e Lillard teve mais uma temporada estupenda.

Um outro aspecto da vida de Damian é sua veia artística, Lillard não é um astro somente no basquete mas também na música. Ele é um rapper com três albuns lançados, seu alter ego é Dame D.O.L.L.A, um acrônimo para “Different on Levels Lord Allowed”. Além de grande jogador e ótimo cantor, Lillard, pelo menos aos olhos dos fãs e de alguém que acompanha sua carreira, parece ser uma grande pessoa, como já disse no início do texto ele teve uma infância difícil e em seu mini-documentário mostra como voltou e ajudou sua comunidade, como na verdade nunca abandonou os seus e isso deve ser valorizado.

Damian Lillard ainda não é um campeão da NBA, talvez nunca venha a ser, mas seu estilo de jogo encanta, seus dribles rápidos, arrancadas em direção à cesta e arremessos de longe, muito longe deixam não só os torcedores dos Blazers, como os amantes do basquete mais felizes toda vez que ele entra em quadra. Lillard não é um campeão da NBA, mas já é um campeão na vida.

 

 

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